imagem: Jia Lu, Illuminated

"EM CADA CORAÇÃO HÁ UMA JANELA PARA OUTROS CORAÇÕES.ELES NÃO ESTÃO SEPARADOS,COMO DOIS CORPOS;MAS,ASSIM COMO DUAS LÂMPADAS QUE NÃO ESTÃO JUNTAS,SUA LUZ SE UNE NUM SÓ FEIXE."

(Jalaluddin Rumi)

A MULHER DESPERTADA PARA SUA DEUSA INTERIOR,CAMINHA SERENAMENTE ENTRE A DOR E AS VERDADES DA ALMA,CONSCIENTE DA META ESTABELECIDA E DA PLENITUDE A SER ALCANÇADA.

BLOG COM MEUS POEMAS:

http://desombrasedeluzanna-paim.blogspot.com/



quinta-feira, 9 de abril de 2009

DESERTO VERDE

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Criei este blog para publicar minhas poesias,mas acabei fazendo outro para elas e deixei este só para guardar temas que me interessam e que vou achando em minhas pesquisas pela internet.
Hoje não resisti e resolvi fazer um comentário...triste.
Triste para mim,pois há 19 anos não voltava ao estado natal de minha mãe,o Espírito Santo,onde estão todos meus parentes maternos,e de onde tenho as melhores recordações de minha infância e adolescência.
Triste porque encontrei os mais belos locais de paisagem nativa totalmente destruidos e ocupados pelos eucaliptos.
Deixo registrado aqui o meu protesto,a minha raiva,a minha pena,sei lá...
Acho que as pessoas(o povão) não são más,são apenas burras,ou emburrecidas pelos que têem interesse nisto.Talvez isto tudo seja parte de um plano dos Senhores do Mundo,da Terra ou de fora dela.Enquanto isto,graças a essa burrice,vamos destruindo a Natureza,...e viva a Aracruz Celulose!!!!!!!!!!!!! e todas as empresas e empresários poderosos,matando aos poucos,em larga escala,no país e no mundo.
Não sou boa em comentários,meu chão é a poesia,por isto copiei estes textos abaixo.


Deserto verde

A expressão "deserto verde" ganhou ampla destaque na mídia nacional e internacional, especialmente na rede mundial de computadores, na denominada "mídia alternativa".

O que é afinal o "deserto verde" e como podemos conceituá-lo para vincular e compreender os assuntos a ele pertinentes?

Temos no Brasil como em nenhuma parte do resto do mundo, imensas propriedades especializadas no cultivo de um só produto, com alta tecnologia, mecanização - às vezes irrigação - pouca mão-de-obra, e por isso, falam com orgulho que conseguem alta produtividade do trabalho. Tudo baseado em baixos salários, uso intensivo de agrotóxicos e de sementes transgênicas.

Voltado para exportação, principalmente para indústria de papel e celulose, o deserto verde vem crescendo a partir da produção principalmente de eucaliptos e de soja e tem se expandido por diversas regiões do Brasil.

Com relação ao eucalipto, atualmente 100% da produção de papel e celulose no Brasil emprega matéria-prima de áreas de reflorestamento, sendo de eucalipto (65%) e pinus (31%).

Entretanto, longe estamos de poder chegar à conclusão de que podemos ficar tranqüilos e que há preservação ambiental.

Segundo a consultora de meio ambiente do Idec, Lisa Gunn, utilizar madeira de área reflorestada é sempre melhor do que derrubar matas nativas, mas isso não quer dizer que o meio ambiente está protegido. "Quando o reflorestamento é feito nos moldes de uma monocultura em grande extensão de terras, não é sustentável porque causa impactos sociais e ambientais, como pouca oferta de empregos e perda de biodiversidade".

Sob o argumento de reflorestamento, criam-se verdadeiros desertos verdes de produção de madeira para fábricas de celulose. O eucalipto é a principal espécie dessa estratégia e danifica o solo de forma irreparável: uma vez plantado, não é possível retomar a fertilidade da terra e seus minerais. Além disso, as raízes do eucalipto penetram nos lençóis freáticos, prejudicando o abastecimento de água das regiões. Cada pé de eucalipto é capaz de consumir 30 litros de água por dia.

De acordo com algumas pesquisas científicas, a monocultura do eucalipto, por exemplo, consome tanta água que pode afetar significativamente os recursos hídricos. Segundo Daniela Meirelles Dias de Carvalho, geógrafa e técnica da Fase, organização não-governamental que atua na área sócio-ambiental, só no norte do Espírito Santo já secaram mais de 130 córregos depois que o eucalipto foi introduzido no estado.

Outro indício da devastação e do desequilíbrio ambiental causados pelo plantio de eucalipto é o assoreamento dos rios, hoje praticamente secos, uma vez que a espécie consome muita água. A falta d'água não aflige só os animais, como também impede a produção de qualquer tipo de alimento. O amendoim cresce raquítico, o feijão não se desenvolve, o milho não nasce, deixando claro que a improdutividade da terra generalizou-se para além das áreas onde estão as plantações de eucalipto.

O plantio de eucalipto em locais de baixa umidade chegou a secar poços artesianos com até 30 metros de profundidade, deixando a população local sem água. O eucalipto tem alto consumo de água, pois tem uma grande evapotranspiração, podendo ressecar o solo, secar olhos d’água, baixar o lençol freático, secar banhados, diminuir a água dos pequenos córregos e riachos, etc.

As fábricas de celulose são também grandes consumidoras de água, com uso de muitos produtos químicos para o branqueamento da celulose, tendo sempre presente o risco de acidentes ambientais.

Outro impacto ambiental causado pelo monocultivo do eucalipto é a redução da biodiversidade da flora e da fauna. O eucalipto causa também a degradação da fertilidade dos solos, exigindo grandes investimentos de recuperação posterior à colheita e compactação pelo uso de máquinas pesadas.

A mentira da geração de emprego

Pelos dados do IBGE, nas fazendas acima de 2 mil hectares há apenas 350 mil trabalhadores assalariados. Bem menos do que os 900 mil assalariados que a pequena propriedade emprega. Ou seja, o modo de produzir da fazenda do agronegócio, que se moderniza permanentemente, expulsa mão-de-obra do campo, ao invés de gerar emprego aos trabalhadores.

Um recente estudo sobre empregos realizado nas regiões de atuação de uma destas empresas no Estado do Espírito Santo aponta que a Aracruz, na época que buscava financiamento, afirmava que cada hectare de plantação de eucalipto geraria em média quatro empregos diretos, portanto, com seus 247 mil hectares plantados deveria gerar 988 mil empregos. No entanto, gerou apenas 2.031, segundo dados de 2004.

As pesquisas indicam que desde 1989 até os dias de hoje esta empresa gigantesca gerou 8.807 postos de trabalho, dos quais 2.031 diretos e 6.776 indiretos. Chama a atenção que em 1989 os empregos diretos eram 6.058, duas vezes mais que hoje e que desde que se iniciou a contar os indiretos em 1997, o número passou de 3.706 para quase a metade.

Insegurança para o meio ambiente


Ao negligenciar medidas de segurança, as indústrias de papel também ficam vulneráveis a acidentes ambientais graves, como ocorreu há pouco mais de um ano na Fábrica Cataguazes de Papel, em Cataguazes (MG). O rompimento de uma lagoa de tratamento de efluentes provocou o derramamento de cerca de 1,2 bilhão de litros de resíduos tóxicos no Córrego Cágados, que logo chegaram aos rios Pomba e Paraíba do Sul. A contaminação atingiu oito municípios e deixou cerca de 600 mil habitantes sem água. Com a morte dos peixes, pescadores e populações ribeirinhas ficaram sem seu principal meio de subsistência.

Na Ciência vale tudo?

Um dos fatores que fez a grande imprensa ficar raivosa foi a ação das camponesas ter “destruído anos de pesquisa”. E aqui cabe a pergunta: toda pesquisa é para o bem da humanidade? Toda pesquisa é isenta? Seria então errado lutar contra as “pesquisas” levadas a cabo pelo nazismo durante a II Guerra Mundial? Ou então as pesquisas, feitas sem questionamentos por parte dos cientistas, que inventaram a bomba atômica?

No dia-a-dia e bem mais próximo de nós estão as pesquisas, muito modernas, patrocinadas pelas grandes empresas de agrotóxicos e produtos geneticamente modificados. São pesquisas que realmente oferecerão vida melhor para a humanidade ou somente aumentarão os lucros de quem as patrocina? Pesquisas que não levam em consideração o meio ambiente e a soberania alimentar dos povos não são úteis para a humanidade.

Segundo editorial da ONG FASE - Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional, “o silêncio sobre os direitos e sobre as alternativas produtivas e científicas constitui uma base de apoio sólido para a intenção permanente de criminalizar os sujeitos da emancipação social que, ao defenderem a realização dos direitos constitucionais, são atingidos pelos mecanismos de repressão do Estado”.

Vergonha internacional

O debate sobre deserto verde, no Brasil, não surgiu do nada. É um assunto que cresce assim como aumentam as áreas de eucaliptos, plantadas em terras que em geral são arrancadas a ferro e fogo de seus donos originais pela empresa Aracruz Celulose.

A Aracruz Celulose é líder mundial na produção de celulose branqueada de eucalipto, fabricando aproximadamente 2,4 milhões de toneladas por ano. Responde por cerca de 30% da oferta global do produto. Seu controle acionário é exercido pelos grupos Lorentzen, Safra e Votorantim (28% do capital votante cada) e pelo BNDES (12,5%). Dedicando-se precipuamente à produção e pesquisa de eucaliptos, a empresa possui plantações nos estados do Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que somam aproximadamente 261 mil hectares de plantios de eucalipto.

Aqui no Brasil a grande imprensa preferiu defender a empresa. Na Europa, a família real sueca se sensibilizou com as denúncias sobre as ações da Aracruz Celulose no Espírito Santo. A denúncia foi veiculada na imprensa mundial logo após violenta ação da Polícia Federal contra os índios, em cumprimento a uma liminar da Justiça em favor da empresa. A decisão da Justiça não considerou inúmeras denúncias que lhe foram apresentadas de que a Aracruz Celulose tomou as terras dos índios durante a ditadura militar, e as explora até hoje. Pressionado pela opinião público e vigorosos protestos contra a empresa, a família real colocou à venda suas ações da Aracruz.

Principais críticas aos grandes projetos de celulose:

Problemas ambientais já citados acima;
Concentração da terra, com expulsão imediata dos agricultores que as venderam. Mostra que as empresas não querem ficar dependentes de parcerias;
É mais um obstáculo para o avanço da Reforma Agrária nesta região;
Modelo de concentração de terra, de capital e da renda;
Modelo exportador, cujos impostos já estão todos desonerados pela lei Kandir, contribuindo muito pouco para os cofres públicos dos municípios e do Estado;
Não gera emprego, como demonstrado acima, pelo contrario diminui postos de trabalho;
Vai gerar vazios populacionais, como no Espírito Santo;
O plantio de culturas anuais em consórcio, com o eucalipto, apregoado pelas empresas, só é possível nos dois primeiros anos, pois nos anos subseqüentes a competição por luz, água e nutrientes, inviabiliza as culturas anuais.
Os investimentos nas grandes fábricas de celulose estão desvinculados da matriz produtiva já existente, instalada na região.

http://www.ecolnews.com.br/desertoverde/index.html


MANIFESTO CONTRA O DESERTO VERDE E A FAVOR DA VIDA
A Rede Alerta Contra o Deserto Verde, uma articulação que envolve mais de 100 entidades dos movimentos sociais dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro, vem através deste, se manifestar sobre:
a) o desastre sócio-ambiental causado nos últimos 35 anos pela monocultura de eucalipto e pinus, integrado aos complexos siderúrgico e de celulose, atingindo diversos ecossistemas e populações de nosso território, empobrecendo nossa diversidade biológica, social e cultural, causando expropriação, desemprego, êxodo e fome;b) a necessidade de outro modelo de geração e divisão de riquezas e de ocupação de nosso território, que respeite e coloque como protagonista as populações rurais e o interesse da sociedade brasileira e não do capital global.
Desde 1500, o Brasil tem colocado seus recursos naturais e o trabalho de seu povo a serviço da exportação de riquezas para os países chamados desenvolvidos. Com a modernização no campo, desde os anos 1960 e 1970, foram dramaticamente ampliados o estímulo e a implantação das monoculturas. Dentre elas, as monoculturas de árvores, em especial de eucalipto e pinus (que não são florestas), talvez tenham sido as de maior impacto socioambiental nas regiões Vale do Jequitinhonha, Vale do Aço, Norte e Central de Minas, Sul da Bahia e Norte do Espírito Santo, com a implantação predatória de complexos dos setores siderúrgicos e de celulose. Esse impacto, criou uma identidade comum entre populações indígenas, quilombolas e camponesas diretamente impactadas – os atingidos pela monocultura do eucalipto –, gente que sempre perdeu nos 500 anos de Brasil, em detrimento de grupos capitalistas que engordam seus lucros à custa do sangue e da expropriação das populações tradicionais e dos trabalhadores brasileiros e da degradação de nossos ecossistemas, antes ricos em biodiversidade e água, hoje secos e empobrecidos, transformando-se em desertos verdes.
No último período de governo neoliberal da era FHC, esse desastre foi legitimado e intensificado, seguindo os interesses do capital envolvido nesses poderosos complexos, embora alguns avanços na legislação, em termos de direitos dos povos tradicionais e da importância da agricultura camponesa, tenham feito um contraponto a esse processo devastador.
Causa-nos espanto, entretanto, a postura do atual Governo Lula, que carregava a esperança desse povo oprimido nesses 500 anos, de resgatar a cidadania sempre negada e de começar a construir um modelo de desenvolvimento democrático, que permitisse reorientar a apropriação e o uso de nosso território, no rumo da inclusão, da justiça e da sustentabilidade.
Esse governo (assim como alguns governos estaduais) vem se submetendo aos interesses oligárquicos desses complexos, destinando enormes quantidades de recursos via BNDES e Ministério do Meio Ambiente (PNF - Plano Nacional de Florestas), sendo complacente com a falácia dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, incentivados pelo Banco Mundial (PCF – Fundo Piloto de Carbono), que legitima a poluição dos países desenvolvidos através da criação de cotas de carbono, que transformam a fotossíntese (dádiva da natureza) em mercadoria privada do comércio global. Usa-se um pretexto ambiental para disseminar as monoculturas de árvores, geradoras do desastre socioambiental acima relatado.
Para as populações tradicionais e entidades componentes da Rede Deserto Verde, não cabe apenas negociar limites e condicionantes aos excessos do setor de monocultura de árvores. Os licenciamentos ambientais e os selos verdes só têm aprofundado as desigualdades socioambientais. O modelo por inteiro está comprometido com a lógica excludente do latifúndio de exportação, se apropriando de órgãos públicos e se legitimando através de certificações não participativas, nem independentes. Ao contrário do atual ordenamento monocultor do território, propomos um outro modelo agrícola e agrário, onde as prioridades estejam reorientadas para a Reforma Agrária, a Agroecologia, a Segurança Alimentar e a defesa das Florestas, Cerrados e de seus povos tradicionais. Somente um novo modelo de desenvolvimento pode garantir a diminuição das desigualdades socioambientais no campo e de seus efeitos colaterais nos centros urbanos.
Neste sentido, a Rede afirma: MONOCULTURAS NÃO SÃO FLORESTAS!!
As populações atingidas reivindicam deste governo a criação de políticas públicas que recuperem esse passivo socioambiental desastroso e incentivem ações que fortaleçam nossas diversidades biológicas, culturais e agroecológicas.
Belo Horizonte, 07 de maio de 2004Rede Alerta contra o Deserto Verde

http://www.wrm.org.uy/paises/Brasil/manifesto.html

Na madrugada do dia 8 de março de 2006, mais de mil e quinhentas mulheres camponesas entram no horto florestal da empresa Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro, próximo a Porto Alegre. A notícia espalhou-se pelo mundo, as mulheres, jovens, mães e avós foram apontadas como arruaceiras, destruidoras, vândalas... Muita gente criminalizou o ato de coragem e não se perguntou: “Mas, afinal, o que levaria as mulheres a saírem de suas casas na madrugada do Dia Internacional da Mulher e fazer um ato de coragem destes? As mulheres camponesas com a ação do 8 de março na Aracruz Celulose acertaram o coração do capitalismo que explora trabalhadoras e trabalhadores, e transforma o campo em um espaço de produção intensiva, exterminando a cultura das comunidades. As mesmas mulheres, que ao longo da humanidade preservaram as sementes e a biodiversidade, não aceitaram a opressão e agiram contra quem está acabando com o nosso planeta, reafirmando a luta das/os trabalhadoras/res contra o capitalismo, representado por grandes empresas como a Aracruz. Estas mulheres também reafirmam um Projeto de Agricultura e de sociedade diferente do atual. Se estas mulheres chegaram a este ato de coragem é porque alguma coisa está errada. O ato foi de denúncia, foi um grito para que a sociedade pudesse enxergar algo que não está vendo, mas que está destruindo com os nossos rios e nossos animais, com a diversidade da natureza e mesmo com as nossas vidas. Assim, no dia 8 de março, quando mais de mil e quinhentas mulheres entraram no Horto Florestal, em Barra do Ribeiro, elas pensavam no futuro do planeta e denunciavam, para que fossem punidos, os verdadeiros criminosos da monocultura, do agronegócio do reflorestamento. Foi um apelo em defesa da vida. Muita terra para pouco emprego No Brasil, a Aracruz gerou 1 emprego direto para cada 185 hectares de terra. Só no corte do eucalipto uma máquina cortadora faz o trabalho de 14 motos cerras. Isto significa que a indústria de celulose requer tecnologia mecanizada e não mão-de-obra trabalhadora, gerando poucos empregos. A Aracruz Celulose e outras empresas do deserto verde... A Aracruz Celulose S/A é uma multinacional controlada por quatro acionistas majoritários que detém direito a voto: Grupo Lorentzen da Noruega (28%), Banco Safra Internacional (28%), Votorantim (28%) e BNDES (12,5%). Junto da Stora Enso, uma empresa sueco-finlandesa, produtora de papel e celulose, são donas da Veracel Celulose, uma grande empresa do sul da Bahia. A Aracruz possui: 252 mil hectares de plantação de eucaliptos nos Estados de Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e Espirito Santo, além de 71 mil hectares de árvores de eucaliptos plantadas e manejadas por agricultores. No Rio Grande do Sul, pelos dados de 30/12/2004, é proprietária de 56,2 mil hectares de terra, dos quais 42 mil hectares estão plantados com eucalipto e, em parceria com os agricultores, outros 400 hectares. As grandes empresas do Deserto Verde no Rio grande do Sul são: Votorantim Celulose e Papel e Stora Enso (que na verdade são uma só).

http://www.sof.org.br/_sistema/noticia.php?idNoticia=170


Já faz muitos anos que as mulheres camponesas
vêm trabalhando e alertando a sociedade sobre
o desrespeito com a natureza em nome do lucro,
do dinheiro. Já faz muito tempo que as mulheres
estão trabalhando em defesa da vida, da natureza
e da sobrevivência do planeta.
Mas, a televisão, o rádio e o jornal nunca divulgaram
as denúncias feitas por estas mulheres,
dos verdadeiros massacres ambientais, sociais e
econômicos, praticados pelas grandes empresas
como a Aracruz; dos bilhões que saem dos cofres
públicos direto para estas grandes empresas, enquanto
a agricultura camponesa nada recebe; da
existência de trabalho escravo, de invasão de terras
indígenas, quilombolas ou de pequenas/os produtoras/
es a custa de muita violência e mortes.
Isto não é notícia porque a empresa Aracruz,
como outras, responsável por todas estas violências,
financia os Meios de Comunicação, garantindo
a defesa de seus interesses e das elites.
Na madrugada do dia 8 de março de
2006, mais de mil e quinhentas mulheres
camponesas entram no horto florestal da
empresa Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro,
próximo a Porto Alegre.
A notícia espalhou-se pelo mundo, as
mulheres, jovens, mães e avós foram apontadas
como arruaceiras, destruidoras,
vândalas... muita gente criminalizou o ato
de coragem e não se perguntou: “Mas afinal,
o que levaria as mulheres a saírem de
suas casas na madrugada do Dia Internacional
da Mulher e fazer um ato de coragem
destes?
8 de março de 2006

“No Dia Internacional da Mulher, as mulheres camponesas se investiram deste
mesmo espírito profético e usaram a força simbólica contra a violência estrutural
de uma empresa que pensa poder, impunemente, comprar a vida das pessoas
e transformar a terra em mercadoria”.
Marcelo Barros, monge beneditino.

A cadeia produtiva da celulose é, talvez, a
que mais traz destruição ambiental, da
produção do eucalipto até a produção do
papel é visível o extermínio da natureza.
São fatos que não aparecem na imprensa,
mas que são alarmantes.
A água
No vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, estima-
se que mais de 270 riachos secaram nas últimas décadas,
depois da instalação da fábrica da Aracruz e do
plantio de eucalipto.
Afirma-se que o plantio de eucalipto causa seca de
poços artesianos de até 30 metros de profundidade. Para
se produzir um quilo de madeira são necessários 350
litros de água, isto é uma grande plantação de eucalipto
necessita de uma quantidade de água superior à existente
no solo, e a precipitação de chuva de um ano é
20% menor que o consumo de água de uma plantação
em maior escala.
Quando sua produção era de 450 mil toneladas, a
Aracruz lançava 6 toneladas diárias de um aditivo químico
altamente poluente na maior bacia pesqueira do Oceano
Atlântico, no sul da Bahia, hoje sua produção chega a
quase 3 milhões de toneladas, quase 6 vezes mais.
Além disso, essa empresa está comprando as terras
nas quais se encontra o Aqüífero Guarani, no sul do
Brasil, a maior reserva de água doce do mundo. Futuramente,
quando o problema da água for maior, ela também
dominará este bem natural, que é do povo.
Nas suas grandes extensões de produção de
eucalipto, perfuram poços artesianos para a irrigação,
usufruindo e acabando com a água também do subsolo,
tornando mais dramática a situação da seca e
desertificação.
Solo, plantas e animais
O eucalipto causa degradação do solo, além disso,
as plantas não conseguem crescer nas áreas de eucalipto,
assim há o extermínio de variedades. Muitos animais
também não tem mais o que comer ou onde viver e acabam
morrendo sem conseguir se reproduzir.

No Brasil, a Aracruz gerou 1 emprego direto para
cada 185 hectares de terra. Só no corte do eucalipto uma
máquina cortadora faz o trabalho de 14 motos cerras.
Isto significa que a indústria de celulose requer
tecnologia mecanizada e não mão-de-obra trabalhadora,
gerando poucos empregos.

O relato de como a Aracruz agiu para ocupar uma
área indígena de 18 mil hectares no Espírito Santo, é
chocante. O caso foi parar no Tribunal Permanente dos
Povos, em Viena, mas não na imprensa brasileira. Com
a ajuda da Polícia Federal, eles invadiram violentamente
as terras indígenas dos tupis-guaranis, queimando
casas e espalhando terror na aldeia.
Em 1994 um grupo técnico
da FUNAI identificou
como sendo terra indígena
13,579 hecteres de terra
que a ARCEL, mesma
Aracruz, comprou de
grileiros e escriturou. No
município de Conceição
da Barra 68% da área do município
é da ARCEL.
A Aracruz Celulose ocupa a maior parte do território
quilombola de Linharinho, em Conceição da Barra.
41 famílias de remanescente de quilombo, continuam
resistindo à ocupação das terras pela Aracruz e outros

“Foi uma resposta a o que a empresa fez em janeiro no Espírito Santo. Que para
aumentar suas plantações invadiu terras indígenas, prendeu as pessoas e passou
com tratores por cima das casas”
Leonardo Boff - teólogo

“Soberania sim, deserto verde não”

http://www.sof.org.br/marcha/arquivos/pdf/panfleto_dest_verde.pdf
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2 comentários:

Gaia disse...

concordo com voc~e,a falta de repeito a nutera e a mãe se faz presente nesse "deserto verde" ,enquanto não compreender mos que a natureza por si so ja e sagrada e merece ser repitada não sera facil preservar as florestas nativas.como sempre a culpa é dos humanos e de nos que não damos o minumo valor a Deusa,espero que isso mude.

Beijos

Úrsula Avner disse...

Olá amiga, de fato o meio ambiente requer cuidados que só as pessoas conscientes podem ter. Obrigada por sua carinhosa visita e comentário. Volte sempre ! Bjs.