imagem: Jia Lu, Illuminated

"EM CADA CORAÇÃO HÁ UMA JANELA PARA OUTROS CORAÇÕES.ELES NÃO ESTÃO SEPARADOS,COMO DOIS CORPOS;MAS,ASSIM COMO DUAS LÂMPADAS QUE NÃO ESTÃO JUNTAS,SUA LUZ SE UNE NUM SÓ FEIXE."

(Jalaluddin Rumi)

A MULHER DESPERTADA PARA SUA DEUSA INTERIOR,CAMINHA SERENAMENTE ENTRE A DOR E AS VERDADES DA ALMA,CONSCIENTE DA META ESTABELECIDA E DA PLENITUDE A SER ALCANÇADA.

BLOG COM MEUS POEMAS:

http://desombrasedeluzanna-paim.blogspot.com/



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

GAZA



Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados.
 
Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
 
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem.

 O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica
.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?

Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

http://www.viomundo.com.br/politica/eduardo-galeano-quem-deu-a-israel-o-direito-de-negar-todos-os-direitos.html

ANNA COMNENA



BIOGRAFIA

Ana Comnena ( Constantinopla, 1 de Dezembro de 1083 - c.1153), foi uma princesa bizantina, filha do imperador Aleixo I Comneno com Irene Ducaina. Tornou-se numa das primeiras mulheres historiadoras ao escrever a Alexíada, uma crónica sobre o reinado do seu pai, durante o qual ocorreu a Primeira Cruzada.

Nascida no quarto púrpura do palácio imperial, foi a primogénita dos nove filhos de Aleixo, e por isso foi educada em história, matemática, ciência e filosofia grega. Apesar de o seus pais proibirem-na de estudar a poesia da Grécia Antiga, uma vez que esta glorificava deuses lascivos e mulheres sem castidade, considerados assuntos impróprios e até mesmo perigosos para uma jovem da sua classe social, Ana estudou-a à escondidas com os eunucos da corte. Deste modo obteve uma educação extraordinária para uma mulher do seu tempo.

Segundo os costumes da nobreza bizantina, pouco depois do seu nascimento, Aleixo I combinou o noivado da sua primogénita com Constantino Ducas, filho do imperador Miguel VII Ducas com Maria de Alânia, de modo a aumentar as suas ligações com a dinastia anterior. Não havendo um filho varão para herdar o trono, Constantino foi proclamado co-imperador de Bizâncio. Mas em 1087 nasceria o filho aguardado, João II Comneno. Constantino abandonou as suas pretensões imperiais e morreria pouco depois.

Em 1097, Ana casou-se aos 14 anos com outro nobre, o kaisar Nicéforo Briénio, estadista, general e historiador, filho de uma família aristocrática que contestara o trono antes da ascensão de Aleixo. O pai deste fora um general vencido por Aleixo, e assim este provavelmente pretendia apaziguar os seus rivais e obter consenso sob a sua coroa. Segundo Ana, tratou-se de um casamento político e não por amor, mas tornar-se-ia numa união de sucesso durante quarenta anos, da qual nasceram quatro filhos.

Desde a infância preparada para herdar o império, Ana não pretendia aceitar a ascensão do irmão ao trono. Juntamente com Irene Ducaina, conspiraram para o deserdar e colocar Nicéforo no seu lugar, aproveitando a doença terminal de Aleixo. Fracassariam. Em 1118 João II Comneno sucedeu ao pai e o plano de depor o novo imperador, nesse mesmo ano, caiu por terra quando Nicéforo acabou por se recusar a colaborar.

Enfurecida e desapontada pelo que considerou fraqueza e não lealdade do seu esposo, Ana afirmou que a natureza trocara os sexos, porque ele deveria ter sido a mulher. A conspiração acabou por ser descoberta. Ana teve de renunciar às suas propriedades e ao estatuto de família imperial e foi exilada, juntamente com Irene Ducaina e a sua irmã Eudóxia, para o convento de Théotokos Kécharitôméné (em português, convento da Virgem cheia de graça), que a sua mãe fundara. Pela Alexíada é possível perceber a perturbação da autora por estes acontecimentos, tendo escrito que, apesar de não a poderem ver, muitos a odiavam. Nicéforo permaneceu no palácio imperial e tornou-se num dos principais conselheiros de João II.

OBRA

Em reclusão, Ana encarregou-se da escola do mosteiro e só se tornaria monja no seu leito de morte. Durante a sua vida dedicou-se a estudar filosofia e história e reuniu-se com intelectuais eminentes, entre os quais os dedicados aos estudos aristotélicos.

Os seus conhecimentos e inteligência ficaram demonstrados nos poucos trabalhos da sua autoria. Entre outros assuntos, era versada em filosofia, literatura, gramática, teologia, astronomia e medicina. Através de pequenos erros na Alexíada, pode-se concluir que citava Homero e a Bíblia de memória. Os seus contemporâneos, como o bispo Georgios Tornikes de Éfeso, viam Ana como uma pessoa que atingira o cume máximo da sabedoria, tanto secular como divina.

Como historiador, ao morrer em 1137, Nicéforo Briénio deixou incompleto um ensaio que intitulara de Material para a História, centrado no reinado de Aleixo I Comneno. Aos 55 anos de idade, Ana decidiu concluir a obra, passando a intitulá-la Alexíada, a história da carreira política do seu pai Aleixo de 1069 até à sua morte em 1118. Concluída em 1148, esta história é actualmente uma das principais fontes sobre a história política do Império Bizantino no final do século XI e início do século XII.

Na Alexíada, Ana explicou as guerras e as relações políticas entre Aleixo I e o Ocidente, e descreveu vividamente as armas, táticas e batalhas. Apesar da óbvia parcialidade e admiração, é possível encontrar indícios de críticas aos defeitos do seu pai, tal como do ódio pelo seu irmão João II Comneno e o lamento pelo seu exílio no convento.

O seu relato da Primeira Cruzada tem um grande valor para a história por ser o único testemunho contemporâneo do ponto de vista bizantino: entusiasta de Bizâncio e firme antagonista do cristianismo ocidental, Ana viu as cruzadas como um risco político e religioso. Não escondeu a sua aversão aos arménios e aos latinos em geral (normandos e francos), a quem considerava bárbaros.
 Mas de entre estes, até aos velhos inimigos de Bizâncio, como Roberto Guiscardo e o seu filho Boemundo de Taranto, expressou admiração pelas suas virtudes, habilidade ou charme.

A utilização dos termos militares e o impressionante número de detalhes na descrição do reinado de Aleixo sugerem que, apesar de internada em um mosteiro, teve acesso a arquivos oficiais e talvez tenha até entrevistado testemunhas dos acontecimentos.

Todo o conjunto demonstra que a autora teve uma educação muito abrangente. O seu interesse em táticas militares e nas ciências, bem como a sua auto-confiança nas suas capacidades literárias, são surpreendentes para uma mulher da sua época - e pela sua obra também é possível obter algum conhecimento sobre a mentalidade e percepção femininas do mundo do seu tempo.

Morte e posteridade

A data exacta da morte de Ana Comnena é desconhecida. Através da Alexíada, conclui-se que ainda estaria viva em 1148. Teve vários filhos do seu casamento em 1097 com Nicéforo Briénio, entre os quais:

Em 1999, Tracy Barrett escreveu um relato ficcional da sua vida no romance Anna of Byzantium (Ana de Bizâncio).

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Comnena

Avalon



Cada vez mais Avalon tornou-se distante do mundo, envolta em suas brumas, invisível para os mortais humanos.
Todavia, Avalon há de continuar existindo enquanto ainda houver pessoas que busquem o conhecimento, as tradições, a magia.

 Há de continuar a existir, sempre, nos corações daqueles que buscam um sentido para suas vidas, para aqueles que sabem que a alma é imortal e que um dia iremos todos voltar, pois a vida é um ciclo que nunca pára, está sempre a girar, é eterno.
 Assim como esse lugar sagrado a que chamamos de Avalon.

 Avalon vivia em harmonia com a natureza, ao seu ritmo, seguindo as mudanças das estações do ano, os ciclos da lua com seus antigos rituais.
 Eram sábios: conheciam a magia, as ervas para curar, os segredos do céu e das estrelas, conhecimentos antigos, música...
E passavam tudo isso aos mais jovens.


Avalon, esse reino perfeito de amor e beleza, continua sendo a busca constante de todo o ser humano que, apesar de todas as desilusões, ainda tem a esperança de fazer deste mundo uma lenda real, ou seja, um lugar melhor para se viver.

in: Facebook, Alma Celta

A MULHER VELHA




A psiquê de uma mulher pode ter chegado ao deserto em virtude da Ressonância, devido a crueldades passadas ou por não lhe ter sido permitida uma vida mais ampla a céu aberto.
Por isso, muitas vezes uma mulher tem a sensação de estar vivendo num vazio, onde talvez haja apenas um cacto com uma flor de um vermelho vivo, e em todas as direções, 500 quilômetros de nada.
No entanto, para aquela que se dispuser a andar 501 quilômetros, existe mais alguma coisa.
 Uma casa pequena e admirável.
 Uma velha.
Ela está à sua espera.
...

 
Algumas mulheres não querem estar no deserto psíquico.
 Elas detestam a fragilidade, a escassez.
 Não param de tentar fazer com que um carro enferrujado funcione para que possam descer aos solavancos pela estrada na direção de uma refulgente cidade que fantasiam na psiquê.
 Decepcionam-se, porém, pois a exuberância e a vida selvagem não se encontram ali.
 Elas estão no mundo do espírito, no mundo entre os mundos, Rio Abajo Rio, no rio por baixo do rio.
 Não seja tola.
Volte, pare debaixo daquela única flor vermelha e siga em frente percorrendo aquele último e árduo quilómetro. Aproxime-se e bata à porta castigada pelas intempéries.
 Suba até a caverna.
 Atravesse engatinhando a janela de um sonho.
Peneire o deserto e veja o que encontra.
 Essa é a única tarefa que temos de cumprir.
Está querendo ajuda psicanalítica?
Vá recolher ossos.

in Mulheres que Correm com os Lobos
clarissa pinkola estés

domingo, 18 de novembro de 2012

NOITE DAS NOITES

 
 
Noite das noites,
Lua sem luz,
Ermo dos ermos.
Som dos sons,
Vento do norte frio,
Esperanças que para o sul se esvaia.
Olho no leste, espera na luz do amanhecer.
Noite de Hecate, a caminho dos sonhos.
Trilha de Danu, força de Kali.
Altar que brilha sem luz do luar,
Noite que é noite das noites sem noite.
A busca da trilha serena de Ísis.
Figuras translúcidas de formas etéreas
Parece miragem
Ilusões contidas, medos e conflitos.
O despertar invoca no circulo de volta,
Aquelas antigas, aquelas das eras,
Aquelas das ervas, aquelas da vida.
Presença de Gaia sem forma, sem canto, sem leis,
Sem fogueiras
De luz Tênue, de canto lúdico,
Acendem as velas,
Diversas de cores e luzes,
A terra aquece os pés, o vento sobra em gozo.
O fogo abrasa a alma, é ela que chega.
Está no sopro do mundo, está na alma da terra, é ela Lillith
.

Graça Azevedo / Senhora Telucama
Lua Negra do Outono de 2007

O FOGO DA TRANSFORMAÇÃO



“Ela é puro fogo, fogo ardente e potente de um amor único e singular, chama terrível sim, que nós ainda não conseguimos suportar. “*

Não é fácil aceitar esse fogo da transmutação...por isso tem de se ir devagar e sem medo...contra todas as barreiras da mente e de todos os medos que nos tolhem, todos os conceitos que nos amarraram, daqueles que nos quiserem mortas antes de tempo e insípidas toda a vida...


Mulheres destinadas a esposas ou mulheres fatais, castas esposas e fiéis ou prostitutas acossadas nas ruas, mulheres abusadas e humilhadas, apenas "preenchidas" pelos filhos e pelos falos...mas não, esse não é já o nosso destino, hoje camuflado de tantas liberdades...

Não estou a falar das mulheres mais jovens, nem da sua paixão pelo homem como é óbvio. Nesses casos quase sempre as mulheres, além da sua própria sexualidade activa, são estimuladas por toda uma propaganda abjecta em que a mulher é quase sempre desviada de si própria e instrumentalizada para obedecer e dar prazer ao homem sem se conhecer e em função do homem exclusivamente embora se tenham invertido um pouco esses parâmetros – para dar a mulher a sensação de que ela também conta - através de uma publicidade que faz agora do homem que dá prazer à mulher um herói e desse um princípio de dever nas relações sem que contudo a mulher se conheça mais ou melhor no seu potencial ou a dimensão interna da sua energia sexual/erótica e em que em muitas e muitas situações ela é forçada agora a simular um prazer que não tem senão paga o preço do macho ferido no seu orgulho. Ele agora não tem só que “possuir” muitas mulheres…ele tem de dar “prazer” a uma mulher…(ou muitas mulheres).

A Mulher tem em si um poder sensual e uma extensão única, um manancial fechado, desse mesmo poder que é a energia de Lilith. A mulher tem dentro de si esse potencial da Deusa, toda a força da Natureza, e a energia amorosa que cria e criou o mundo e a Terra.

É um grande desafio, uma grande aventura a de a Mulher se olhar um dia e se Sentir e de repente ver inteira – independente do corpo de desejo ou idade que tenha - e aceitar a sua sensibilidade/sensualidade alargada para lá, muito para lá da mera sexualidade.

Creio mesmo que a sensação de a mulher nunca ter encontrado, regra geral, a sua plenitude no amor e a sua suposta frustração sexual – não ser entendida, correspondida, e tida em conta na sua extrema e complexa sensibilidade – e tudo o que se especulou sobre um ponto “G” na mulher algures no seu órgão sexual e de uma suposta experiência de prazer sexual extraordinário e que os homens (inclusive sexólogos ou peritos, psicólogos etc.) não saberiam como lá chegar, não é mais afinal do que esse Prazer imenso só seu de ser mulher em si e não depender de ninguém ao se descobrir inteira nesse corpo sensual que não é só corpo nem só sensual pelas sensações exteriores através da pele e zonas erógenas, mas sobretudo por essa sensualidade que é fogo interior que brota de dentro e que lhe sobe nas veias e que vem do mais fundo das suas entranhas e de um sentir visceral, como de um vulcão em erupção se tratasse; sim é dessa fusão que se trata e como digo no livro,* “ Lilith é uma experiência no âmago da mulher no seu centro nuclear que implica o seu corpo, o seu sexo a sua alma e o seu espírito em fusão e só essa experiência dá a dimensão do Ser Mulher ou da Deusa na mulher."

Se por um lado a mulher com a idade pode perder parte significativa da sua libido ou a apetência sexual pelo macho, (não considero aqui a propaganda médica e farmacêutica que quer vender estimulantes em nome da saúde sexual ou da escravidão da mulher ao sexo, como o viagra nos homens etc, perfeitamente contra natura) por outro, ela aumenta a sua sensualidade na Alma e no coração ardente… assim, a novidade é minhas amigas

 A Mulher não morre para a Paixão nem acaba a sua capacidade de se sentir viva e ardente na menopausa, antes começa a sentir e a irradiar a força desse fogo que concentrou dentro de si, mesmo sem o saber, essa força adormecida que agora pode acordar conscientemente e fazer dela um Oráculo, fazer dela Uma Xamã, fazer dela um Velha Sábia cheia de amor e dignidade. Porque é esse Amor indefinido e potente como um raio dentro de si…que faz a nobreza da Mãe e a grandeza da Mulher…e ela irradia à sua volta.

rosaleonorpedro

*O Livro de Lilith (sem título definido ainda e não publicado.)


sábado, 17 de novembro de 2012

AINDA LILITH...



Lilith não corresponde a nenhum conceito, idéia ou projeção que se possa fazer dela...e o que as pessoas que usam o seu nome fazem hoje em dia é usar os preconceitos seculares que difamaram Lilith, que, transformando-a num demônio e comedora de criancinhas, uma serpente maldita ou um dragão ameaçador - é sempre a mesma ameaça para assustar as crianças e os homens que não passam de crianças e a imaginam terrível – para criar medo dela e da Mulher livre e capaz de ser Mulher por si só.

Ela não é nada disso...nada. Sinto-o e sei-o no meu coração.
Ela é puro fogo, fogo ardente e potente de um amor único e singular, chama terrível sim, que nós ainda não conseguimos suportar: Ela está para lá de toda a dualidade bem mal e nunca foi homem nem...

mulher porque ELA É A ESSÊNCIA DA MULHER FUTURA, DA MULHER QUE ERA PARA SER E NÃO FOI...mas o que ela será e o que ela foi está em germe na mulher, é o seu matrimônio secreto, a sua completude, e o homem que a quiser conhecer terá de ser através da MULHER, da Mãe e da Amante...não há hipótese alguma de o transgredir nem de a transformar num demônio, nem na transexualidade, nem por qualquer processo seja por meios químicos e outros como operações ou sucedâneos, como fazer seios de silicone ou injetar-se de hormônios...



 Lilth é incorruptível, Ela é a origem ,Ela é a Grande Mãe…o Grande Útero que dá vida ao universo. Ela é a grande Serpente, o Uroborus…

Quem quiser conhecer Lilith, tem de nascer mulher e escolhe-o...mas pode sempre traí-la de uma ou outra maneira - nem todas ou raras são as mulheres dignas dela e que lhe são fiéis...porque as mulheres de hoje e daí todas as aberrações deste mundo, todas as loucuras, não se conhecem em essência, não cumprem o seu destino, estão desnaturadas, estão vendidas, escravizadas ao patriarcado e ao Sistema que, este sim, é “diabólico”.
 
Elas não respiram a Mulher, elas não são A Mulher. E por isso os homens não sabem nem sonham quem seja a Mulher nem muito menos quem É LILITH!

 Lilith é uma experiência no âmago da mulher no seu centro nuclear que implica o seu corpo, o seu sexo a sua alma e o seu espírito em fusão e só essa experiência dá a dimensão do Ser Mulher ou da Deusa na mulher.

As mulheres não sonham nem compreendem o que possa ser essa totalidade nelas.
 Não sonham que isso lhes pode trazer de si uma experiência tão profunda que podem cessar a busca do prazer obsessivo pelo macho...eu não nego as relações entre os humanos (entre homem e mulher ou entre seres do mesmo sexo); eu apenas quero enfatizar que a experiência da deusa na mulher é tão forte e tão extensa como intensa e auto-suficiente...tira-nos dessa dependência do outro e do homem e esse é o segredo milenar que as mulheres têm guardado e esquecido.
 
Dizer isto às mulheres parecerá loucura eu sei disso: elas estão tão dominadas pelo homem que não concebem a sua existência sem um...e não conseguem desviar o foco do homem para sim mesmas...
(...)
 
Rosa Leonor Pedro
 
Fonte:  grupo Lilith a Primeira Mulher, facebook

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

SER



CONHECER
a luz e as trevas
o preto e o branco
o domínio e a submissão
o amor doação e o amor alimento
o sexo animal e o transcendente

Mas a realização de tudo isto é
S E R
Conter tudo a um só tempo
A energia manifesta
De forma integrada
H A R M O N I A
Renascendo infinitamente
a cada momento
desvelando assim
a multiplicidade na criação

(Susie Sun)


http://susiesun.blogspot.com.br/2008/03/cosmos-manifesto.html

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ENCONTRO COM LILITH



Eu estava nos meus dias de mulher a dias carregando a sobrevivência.
 Eu estava nos meus dias de Penélope fazendo o meu trabalho e desfazendo-o e voltando-o a fazer. Eu estava nos meus dias de Deusa dos Sonhos afagando a vida.
 Foi quando te pressenti.
 Do silêncio, um leve restolhar entre folhas.
 Do frio, um sinistro rastejar.
 Ao longe, o vórtice a rodopiar dum furacão.
 O céu um pântano.
 Empalideço.
 Todos os verdes musgos se transformam em venenos.
 As flores em risadas.
 Os doces aromas em sulfurosas pestilências.
 Chegas em fúria, todos os elementos te seguem, os bichos escondem-se, humanos que te vissem pasmariam.
 Todo o teu olhar são crateras que se abrem.
 Toda tu arrotas e fazes-me arrotar até ao vómito.
 Tiras-me o meu último apoio, a minha varinha mágica de iludir-me.
 Transforma-la num chicote sem clemência.
 Voam pelo ar tempestades de ventos do deserto, vidros de dor de bola de cristal estilhaçada.
 Ainda me debruço sobre o meu ventre chorando os filhos que tive,para quê?
 Clamo a Deus porque de mim se serviu para ser sua mãe no mundo?
 E porquê os homens fizeram de mim a sua escrava?
 Basta de ser sacrificial e ser carne e terra e sangue para alimentar reinos que não são meu trono.
 Eu sou a RAINHA DE OUTRO REINO, ME VENEREM E RESPEITEM!
 Já não sei se sou eu que o estou dizendo se és tu que o estás dizendo em mim...
Sei que num relâmpago, como que um raio me trespassa, e vejo-te subitamente mulher plena.
 Que ninguém se aproxime.
 Como és bela!
 E tu a veres-me velha, minhas rugas, meus seios murchos, meu ar abandonado.
 Apoximas-te e és real e abraças-me.
 Beijas-me na boca, vais sorver do mais fundo de mim a inocência que eu ainda tenho e a ti te falta, vais reviver em mim a tua casa, a nossa casa, a tua irmã, e estamos juntas outra vez no paraíso.
 És tu que que mantens a força e me seguras.
 És tu que sem ciladas não admites que eu agora caia.
 És tu que juras com raiva, que antes dessa hora, destruírias todas as horas pelas quais a terra é regida. Vejo-te então mais ferida do que eu e sou agora eu que te sustenho.
 Parece um horto de sofrimento, uma demência a sacudir-nos, uma epifanía.
Nunca o amor foi tão lúcido.
 É uma plena reconciliação feita de saudade enorme.
 Penso que vamos ficar finalmente juntas .
 É então que me olhas ( ainda não sou capaz de descrever esse olhar) e pouco a pouco te vais transfigurando.
 Enquanto dura esse processo tu gritas-me:
 Um dia irei ter contigo, mas agora corre, corre,corre!
  Lilith, o que está para acontecer?
 Não sei, mas farei o que tu dizes, sabendo que já estás comigo.

Graça Mota, grupo  do facebook "Lilith, a Primeira Mulher"

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A MULHER FORTE



No instante em que pedimos por Ela,
Em que A vemos, conversamos com Ela, a amamos
Ela se levanta graciosa,
Contra todas as cordas que A prendem,
E elas se soltam,
Enquanto as estacas voam em todas as direções.

Com muito amor, alguma leveza e, sem dúvida, com um anseio profundo
Vamos também sentarnos juntas,
Vamos arrebentar todas as cordas
Vamos fazer todas as estacas voar...
Libertando-nos ao libertar a Mulher Forte.

Clarissa Pinkola Estés, Libertem a Mulher Forte, Ed. Rocco

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

AS ENERGIAS NEGATIVAS E AS POSITIVAS...




(Trechos de uma postagem do Blog "Mulheres e Deusas, da abençoada Rosa Leonor, mestra, matriarca e o fogo da tocha que ilumina os caminhos de nossa caverna interior...)


(...)No facebook e em grupos, mais do que aqui, tenho verificado o quão difícil é para as mulheres compreenderem e aceitarem essa divisão intrínseca, psiquica, que as torna rivais e opositoras umas das outras sem saberem porquê na vida real...e ver como é bem mais fácil seguirem processos ditos espirituais, mentores ou mentores que apresentam as coisas do feminino de forma "construtiva", muito certinhas e bonitinhas e incutem no espírito das mulheres a ideia das energias positivas, a serem sempre positivas... e não das "energias negativas"...e estarem sempre do lado do "bem e da luz" etc. Ironicamente nem as mulheres se apercebem que elas são o polo dito negativo, o feminino como princípio e que a Sombra e o lado escuro, a Lua, se opõem ao dito positivo e ao Sol, ao princípio masculino...e que em qualquer processo de evolução elas não tem senão que assumir esse lado escuro e irem ao fundo de si mesmas buscar primeiro essas suas reservas, aparentemente negativas, como qualidades e que são as suas inerentemente que foram sempre reprimidas porque associadas ao diabólico...ao selvagem...

Assim, verifico que mesmo nos ditos "processos espirituais" as mulheres são desviadas de si mesmas enquanto seres da Sombra...e das profundezas, como seres representante do polo feminino ou negativo, para se associarem ao bem e ao lado diurno e solar em função exclusiva das suas relações com o homem...e não trabalham a relação consigo mesmas, mas sim e mais uma vez em benefício da sociedade patriarcalista, ao serviço da sociedade que a domina e perverte a sua natureza instintiva e intuitiva, mantendo-a ao serviço da espécie e do Homem.

Há ainda outras mulheres que procuram na erudição, no conhecimento e cultura vigente ou na psicologia patrista encontrar soluções culturais e sociais para melhor servir a sociedade, mas ainda aí ou sobretudo aí...elas não percebem que seguem os caminhos da sua negação enquanto Mulheres e Mães (matriarcado) a negação da sua Matriz, para cederem de novo ao Pai e aos Mestres...seja da Filosofia seja da Psicologia ou mesmo da Metafísica...mas sempre um olhar e um pensamento que as exclue por si mesmas até da linguagem...todas elas dizem orgulhosamente e do cimo da sua sapiência: "O Homem...sabe"...

Sempre me desviei desses caminhos. Tanto de uns como de outros. E porque assim o fiz, não tenho fiéis, leitores, nem seguidoras, não tenho espaços nem portas abertas para fazer e falar de um trabalho essencial para as mulheres. Nem as próprias mulheres estão muito interessadas nisso, mas sim na sua sobrevivência dentro do sistema e a continuar a servir o homem e o pai ou o seu deus...
Todas elas seguidoras do deus pai, todas elas fiéis do Bem...e da Luz...


Nunca vi nenhuma mulher deixar para trás o seu conforto, o seu poder económico e o seu interesse pessoal, egóico...nem nos ditos supostos e apregoados caminhos da "deusa"...e se estão lá, a maioria é porque se vendem à sua imagem, ao prazer sexual ou ao dinheiro mais uma vez...elas inserem-se no Sistema...e continuam a serví-lo em nome do que que quer que seja..são novas marias, novas beatas, novas "santas" devotas da Deusa como o eram de deus...vendo só o lado "positivo"...tudo para elas é "luz e bem e paz"...

Sim, mas esquecem que há lá uma Serpente escondida que precisa de dar a volta e morder a sua própria cauda... que precisa sair à luz do dia e ser amada de noite...e um dia, não muito longe, a sua traição a si e às outras mulheres as fará comer o pão amargo da traição à Grande Deusa...


http://rosaleonor.blogspot.com.br/2012/11/as-energias-negatigas-e-as-positivas.html



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A DANÇA DIVINA




"Sou duas mulheres: uma deseja ter toda a alegria, a paixão, as aventuras que a vida pode dar.
 A outra quer ser escrava de uma rotina, da vida familiar, das coisas que podem ser planejadas e cumpridas.
 Sou a dona de casa e a prostituta, ambas vivendo no mesmo corpo, e uma lutando contra a outra.
O encontro de uma mulher consigo mesma é uma brincadeira com sérios riscos.
 Uma dança divina.
 Quando nos encontramos, somos duas energias divinas, dois universos que se chocam.
 Se o encontro não tem reverência necessária, um universo destrói o outro."

Feminitude: O Resgate Da Essência Feminina - Rosa Leonor Pedro

O REGRESSO DE LILITH



O REGRESSO DE LILITH
(excertos)
Joumana Haddad


Eu sou Lilith, a deusa das duas noites, que regressa do exílio. Sou Lilith, a mulher-destino. Nenhum macho pode escapar à minha sorte, e nenhum macho lhe quererá escapar.

Eu sou as duas luas Lilith. A negra é complementada pela branca, pois a minha pureza é a centelha do deboche e minha abstinência, o princípio do possível. Eu sou a mulher-paraíso, que caiu do paraíso, sou a arrasa-paraísos.

Sou a virgem, rosto invisível da devassa, a mãe-amante e a mulher-homem. A noite porque eu sou o dia, o lado direito porque sou o lado esquerdo, e o Sul porque sou o Norte.

Eu sou Lilith dos seios brancos. Irresistível é o meu encanto, pois os meus cabelos são negros e longos e de mel os meus olhos. Diz a lenda que fui criada a partir da Terra para ser a primeira mulher de Adão, mas não me submeti.

Sou a mulher-festa e os convidados da festa. Feiticeira alada da noite é o meu apelido, e sou deusa da tentação e desejo. Chamaram-me patrona do prazer gratuito e da masturbação, liberta da condição de mãe para ser o destino imortal.

Eu sou Lilith, que retorna da masmorra do esquecimento branco, leoa do senhor e deusa das duas noites. Recolho na minha taça o que não pode ser recolhido, e bebo-o pois sou a sacerdotisa e o templo. Esgoto todas as intoxicações para que não acreditem que eu posso beber. Faço amor comigo mesma e e reproduzo-me para criar um povo da minha linhhagem, depois mato os meus amantes para dar espaço àqueles que ainda não me conheceram.

Regresso do calabouço do esquecimento branco para quem ainda me não conhece, volto para marcar lugar e para que não creiam que eu posso beber, da brancura do esquecimento para enraizar a vida e para que o número cresça, para matar os meus amantes eu regresso.

Eu sou Lilith, a mulher-floresta. Não vivi uma espera desejável, mas sofri os leões e as espécies puras de monstros. Fecundo todas as minhas costas para construir a história. Agrego as vozes nas minhas entranhas para que o número de escravos esteja completo. Como o meu próprio corpo para que me não tratem como faminta e bebo a minha água para nunca sofrer a sede. As minhas tranças são longas no inverno, e as minhas malas não têm tecto. Nada me satisfaz, nem me sacia, e eis que regresso para ser a rainha dos perdidos no mundo.

Sou a guardiã do bem e do encontro dos opostos. Os beijos no meu corpo são as feridas de quem tentou. Da flauta das duas coxas sobe o meu canto, e do meu canto a maldição espalha-se em água sobre a terra.

Sou Lilith, a leoa sedutora. Mão de cada servidor, janela de cada virgem. Anjo da queda e consciência do sono leve. Filha de Dalila, Maria Madalena e das sete fadas. Nenhum antídoto para a minha condenação. Da minha luxúria, erguem-se as montanhas e abrem-se os rios. Venho de novo para furar com as minhas ondas o véu do pudor, e para limpar as feridas da falta com o perfume do deboche.

Da flauta das duas coxas sobe o meu canto

E da minha luxúria abrem-se os rios.

Como não poderia haver uma maré

de cada vez que entre os meus verticais lábios brilha um sorriso?

Porque eu sou a primeira e a última

A cortesã virgem

O medo cobiçado

A adorada desprezada

E a velada desnuda

Porque eu sou a maldição do que precede,

O pecado desaparecido dos desertos quando abandonei Adão.

Ele andou aqui e ali, quebrou a sua perfeição.

Desci-o à terra e acendi para ele a flor da figueira.

Eu sou Lilith, o segredo dos dedos que insistem. Quebro caminhos divulgo sonhos rebento as cidades do macho com o meu dilúvio. Não reuno dois de cada espécie na minha arca Em vez disso, volto a eles, para que o sexo se purifique de toda a pureza.

Eu, versículo da maçã, os livros escreveram-me, ainda que não me tenham lido. Prazer desenfreado esposa rebelde o cumprimento da luxúria que leva à ruína total. Na loucura se entreabre a minha camisa. Os que me escutam merecem morrer, e aqueles que me não escutam morrerão de despeito.

 
Eu não sou nem a rebelde nem a égua fácil.

Antes o desvanecer do pesar último.

Eu Lilith o anjo devasso. Primeira fuga de Adão e corrompidora de Satanás. O imaginário do sexo reprimido e o seu mais alto grito. Tímida pois sou a ninfa do vulcão, ciumenta pela doce obsessão do vício. O primeiro paraíso não pôde suportar-me. E caçaram-me para que eu semeie a discórdia na terra, para que governe nos leitos os assuntos dos meus sujeitos.

Sorte dos conhecedores e deusa das duas noites. União do sono e do despertar. Eu, o feto-poetisa, ao perder-me ganhei a vida. Regresso do meu exílio para ser a esposa dos sete dias e as cinzas do amanhã.

Eu sou a leoa sedutora e volto para cobrir as submissas de vergonha e para reinar sobre a terra. Venho para curar a costela de Adão e liberar cada homem da sua Eva.

Sou Lilith

Regresso do meu exílio

Para herdar a morte da mãe a que dei vida.

Joumana Haddad

(Traduzido do francês por Mariana Inverno)
 

domingo, 4 de novembro de 2012

INTOLERÂNCIA





 

 




...O motivo pelo qual Dois Bilhões de seres humanos na Terra se dizem cristãos nada tem a ver com exame histórico ou raciocínio criterioso, e sim pura e simplesmente por inércia sócio-cultural. São cristãos porque seus pais o foram, e seus avós e bisavós. São por pura tradição e densidade cultural de um sistema de idéias que ajudou a construir nossa civilização, e que tem a curiosa propriedade de ser nada aberto a questionamento.

 
No mínimo 99,9999% dos cristãos jamais examinou sua crença criticamente. Jamais se preocupou em verificar se possui coerência histórica, embasamento científico ou simplesmente sustentabilidade lógica. Não se preocupam com isso e nem sequer deveriam. Religião é subjetiva, não se baseia em razão mas sim na necessidade humana.

 ...Essas pessoas jamais acreditaram por uma questão de coerência histórica e lógica, mas simplesmente porque foram obrigadas a acreditar, tendo sido doutrinadas desde crianças das mais diversas formas possíveis, inclusive ameaças às vezes sutis, às vezes não. No passado, até mesmo mediante tortura.

Se um dia um colega confiável lhe chega todo entusiasmado dizendo que viu um magnífico carro importado dirigido por uma belíssima mulher, normalmente você não tem bons motivos para duvidar que ele esteja falando a verdade, por mais que esteja a exagerar. Mas se ele chega e diz que viu um disco voador voando no céu pilotado por um dragão, aí você, normalmente, tende a ser mais desconfiado.


Da mesma forma, poucas pessoas duvidam que um homem possa sofrer um tiro e sobreviver, mas é difícil acreditar que alguém sofreu 10 tiros em partes vitais do corpo, morreu, foi enterrado e depois ressuscitou 3 dias depois.

Curiosamente, essa simples e clara dicotomia entre o fantástico improvável e o modesto provável foi invertida pela história da religião cristã. Por quase dois milênios uma civilização foi duramente martelada com a idéia de um homem que fazia milagres e que havia ressuscitado. A insistência e a pressão psicológica dessa doutrinação foram tão fortes, que se hoje em dia alguém oferece uma alternativa muito mais plausível e realista, é um escândalo!

... A tese de que Jesus Cristo foi um homem normal que se casou e teve filhos é tão velha quanto a tese de que foi o Filho de Deus encarnado. Bem como a idéia de que Maria Madalena foi muito mais que uma simples prostituta arrependida, mas sim uma brilhante sacerdotisa e esposa de Jesus, com a qual teria até mesmo tido filhos.

... Mas certos cristãos não podem tolerar isso, qualquer vaga insinuação de que seu personagem mitológico seja uma vírgula diferente daquilo em que acreditam não pode ser perdoada, e mobilizam-se contra uma das maiores conquistas da civilização ocidental contemporânea: A liberdade de crença, idéias e expressão.

Nada revela mais a fragilidade da fé e a fraqueza racional de alguns cristãos do que o profundo medo de uma simples alternativa explicativa mais lúcida e mais provável sobre o personagem de Cristo.

http://www.xr.pro.br/Ensaios/Da20.html

sábado, 3 de novembro de 2012

TEMPO DE LILITH

 
 
No tempo de Lilith, Gaia não se consumia
Os bosques eram sagrados
Como todas as formas de vida
E as crianças cresciam para ela.
Um dia chegou o crepúsculo
...
E Lilith cede seu tempo
Outro poder se aproveita,
Apoiado pelo deus Kapital
Faz o que quer com Gaia
 Agora,Gaia só é de alguns.
E seu tempo quase se acaba.
Os filhos de Lilith
Choram...

 Ainda conseguem sonhar
Ainda sonham com a lua
Com Gaia nas mãos de todos
E todos nas mãos de Gaia
Para a vida ser mais vida
Por elas que carregam a vida,
Que mantém a vida,
Que devolvem a vida
Que antes de serem Evas
Já sabiam o que era ser Lilith...


Brasília 8 de março de 2006
Gerson Domont

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

É PRECISO


 
 
É preciso urgente voltar à Natureza da Mulher e da Mãe Natureza! Voltar a amar a Natureza Mãe e respeitá-la como ser vivo e consciente…voltar a viver em contato com a Terra e cultivá-la, deitar de novo sementes à Terra e ver crescer as plantas, os legumes, as árvores… queimadas…voltar a plantar toda a flora destruída pela mão criminosa do homem e a suas guerras econômicas, porque é disso que se trata…

Esta é a única maneira de voltar a fazer viver a Deusa na Terra e nos nossos corações, plantando e semeando a Terra, dar vida ao solo.

As máquinas tiraram-nos a relação com a Terra e o pão…produzir, consumir e morrer foi aquilo a que o Homem chamou progresso e quanto mais inventou máquinas mais se afastou da sua natureza, mais sofre, mais se aliena da verdadeira vida e do seu feminino.

Voltemos pois ao campo, às aldeias, à natureza, ao mar…vivamos da terra entre os animais e as árvores, os rios e as aves e tudo o que existe e se manifesta sem a mão mortífera do homem…

Para que voltem as mulheres cada vez mais a ser parteiras, a educar os filhos, a tecer a sua roupa, a fazer a comida com as sua mãos, a amar como sempre fizeram as nossas ancestrais. Voltem as mulheres a reunir como curandeiras, a apanhar plantas sagradas e a curar as almas de tanta dor…voltem as mulheres a ceifar e a colher o trigo da terra, rindo felizes com os seus companheiros que as aprenderam de novo a respeitar e a amar…

 
ROSA LEONOR PEDRO

ANCESTRAIS



(Sendo hoje Dia de Finados,esta é minha oração por meus ancestrais)

Como um raio luminoso
Através de Eras
Outonos,Primaveras
Através de uma corrente
De uma hélice em espiral
Eles foram os transmissores da Vida
E todos seus sonhos,lutas
Tristezas,alegrias,derrotas
Vitórias,amores,traições
Trabalhos,esperanças
Chegaram até a minha Alma
Meu Corpo,meus Ossos,meu Sangue
E como um rio caudaloso
Eu passei para meus filhos
A marca de nossos Ancestrais
E assim eles continuarão
E assim a vida é transmitida
E assim a Vida continua...
Abençoados sejam meus Ancestrais
Nossos Ancestrais
E Os Ancestrais de toda a VIDA na Terra...

02/11/2008


http://desombrasedeluzanna-paim.blogspot.com.br/2009/01/ancestrais.html

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A PELEJA DO DIABO COM O DONO DO CÉU



A Peleja do Diabo com o Dono do Céu
Zé Ramalho


Com tanto dinheiro girando no mundo.
Quem tem pede muito quem não tem pede mais
Cobiçam a terra e toda a riqueza
Do reino dos homens e dos animais
Cobiçam até a planície dos sonhos
Lugares eternos para descansar
A terra do verde que foi prometido
Até que se canse de tanto esperar
Que eu não vim de longe para me enganar
Que eu não vim de longe para me enganar

O tempo do homem, a mulher, o filho
O gado novilho urra no curral
Vaqueiros que tangem a humanidade
Em cada cidade e em cada capital
Em cada pessoa de procedimento
Em cada lamento palavras de sal
A nau que flutua no leito do rio
Conduz à velhice, conduz à moral
Assim como deus, parabéns o mal
Assim como deus, parabéns o mal

Já que tudo depende da boa vontade
É de caridade que eu quero falar
Daquela esmola da cuia tremendo
Ou mato ou me rendo é lei natural
Num muro de cal espirrado de sangue
De lama, de mangue, de rouge e batom
O tom da conversa que ouço me criva
De setas e facas e favos de mel - guerra
É a peleja do diabo com o dono do céu
É a peleja do diabo com o dono do céu