imagem: Jia Lu, Illuminated

"EM CADA CORAÇÃO HÁ UMA JANELA PARA OUTROS CORAÇÕES.ELES NÃO ESTÃO SEPARADOS,COMO DOIS CORPOS;MAS,ASSIM COMO DUAS LÂMPADAS QUE NÃO ESTÃO JUNTAS,SUA LUZ SE UNE NUM SÓ FEIXE."

(Jalaluddin Rumi)

A MULHER DESPERTADA PARA SUA DEUSA INTERIOR,CAMINHA SERENAMENTE ENTRE A DOR E AS VERDADES DA ALMA,CONSCIENTE DA META ESTABELECIDA E DA PLENITUDE A SER ALCANÇADA.

BLOG COM MEUS POEMAS:

http://desombrasedeluzanna-paim.blogspot.com/



sábado, 29 de dezembro de 2012

2013... WHERE ARE YOU GOING FROM HERE

Where Are We Going From Here


On a long road, miles to go
Its winding and cold and its covered with snow
But I ask you what we all want to know
Where are we going from here...

Lines on my face , lines on my hands
Lead to a future I don't understand
Some things don't go as they're planned...
Where are we going from here...

Tracing the trails through the mirrors of time
Spinning in circles with riddles in rhyme
We lose our way, trying to find
Searching to find our way home...
Trying to find our way home...

As the day dies, with tears in our eyes
There's too few hellos and too many goodbyes
Silence answers our cries...where are we going from here...

We're all on this road, with miles to go
Braving new pathways into the unknown
But who do you ask, when no one really knows
Where we are going from here...
 
TRADUÇÃO
 
Numa longa estrada
Milhas por vir
Está ventando frio e tudo esta coberto de neve
Mas te  pergunto o que todos nós queremos saber
Para onde estamos indo daqui?
 
Linhas em meu rosto
Linhas em minhas mãos
Levando a um futuro que não entendo
Algumas coisas não acontecem como planejadas
Para onde estamos indo daqui?

Traçando trilhas através dos espelhos do tempo
Girando em círculos com enigmas em rima
Perdemos nosso caminho tentando encontrar,
Procurando encontrar nosso caminho para casa...
Tentando encontrar nosso caminho para casa

Quando o dia morre
Com lágrimas em nossos olhos
Há poucos "olás" e
Muitos "Adeus"
O silêncio responde nosso lamento
Para onde estamos indo daqui?

Estamos todos nesta estrada
Com milhas por vir
Desbravando novos caminhos ao desconhecido
Mas a quem você pergunta,
Quando ninguém realmente sabe
Para onde estamos indo daqui...
 
Where Are We Going From Here, Blackmore's Night

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

ÀS QUE NUNCA CHEGARÃO A SÁBIAS ANCIÃS



É neste mês de Inverno que vos evoco
ao ver-vos galhos secos. Engelhadas. Lívidas.
Neste mês de Natal em que vosso presépio
...
é a espera da morte e não da vida.
E pergunto a ti, oh! Deusa,
quantas idades tu tiveste,
como te incorporaste em cada uma delas,
e como és tu afinal na mulher velha?
Recuso-me a ver-te tão intemporal
que te esquecesses,
que não tivesses piedade delas.
Não das mulheres de cunho antigo,
mas das degradadas,
das que nunca chegarão a sábias anciãs!
Das que já não são macio orvalho
nem em neons brilham
das que estão a um canto gastas ou doentes
das que como bestas trabalharam
das que foram amestradas para gaudío de plateias
das que estão atordoadas
em lares, em casas, em buracos de solidão
onde pelos seus pavores passam ratazanas.
E assim vão apodrecendo aqui na terra.
Explica-me este horror
onde não vislumbro nenhuma redenção humana.
Ilumina-as, em qualquer parte do universo onde TU estejas!
Tu, que até do estrume dás alimento à Vida.
Aqui, só posso falar delas.
E faço-o exactamente hoje, antes da festiva consoada.
Quem dera num memorial gravá-las
para que de algum modo fossem recordadas.
Mas Tu, Lilith, podes acender a chama que as conforte.
E seja ainda a Tua luz que as redima!


Graça Mota

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A MÃE



O poder que percorre meu corpo percorre o teu.
O amor que flui aqui, flui aí.
A diferença entre nós, nos une,
Os opostos se abraçam
Para formar o mistério da união.
O Amor envolve tudo,
É Mãe de todos,
A sempre Virgem Maria,
De onde veio o Pai,
O Filho e o Espírito.
Se assim não fosse
Vão seria o Amém
Que só existe pelo Amor.

F.A.


Imagem: The Saint, Sammy Edelstein

http://pistasdocaminho.blogspot.com.br/2012/12/a-mae-de-todos.html

VIDA E POESIA



A vida é Poesia e música, caminho, encontro, planícies, ar. A existência é poema e barulho, estrada, distância, labirinto, gases sufocantes. E a violência feita contra um ser, qualquer ser, é feita contra todos e contra o Eterno!

O amor é mesmo semear atos de bondade! A sabedoria é nunca chamá-las de semente! E o coração é o universo onde a vida é privilegiada com Paz. Ali não há gritos, mortes, violação – somente música, e serenidade, e lealdade, e afeto, e delicadeza!
(...)
Caminhos largos para pessoas, porque, afinal, um jardim não é sem pessoas. E não se aborreça se elas criarem passagens entre flores, de terra socada apenas, para irem e virem – e estarem, porque essa é a vida de ser humano: abrir passagens - mas, não destruir o jardim. Não queira mais que isso! As borboletas e anjos ficam por conta do Eterno.

Transforme a vida numa casa, mas não use material descartável. Ela deve durar e trazer saudades, e deve deixar lembranças, lançar raízes profundas e dar frutos. Abra as janelas em todas as direções e erga um teto alto, que acompanhe o telhado, a fim de ter bastante ar e música espalhada como unção e bênção humanas.

Na casa, filho, tenha poucas coisas – mais pessoas! Nenhum negócio e muitos encontros. Entre coisas, prefira as simples, rústicas e duradouras. Entre pessoas, as plenamente humanas. E, entre elas, as mulheres! Especialmente as que cheiram Poesia e possam ser chamadas “Bênção de Deus”, pois os seus sentidos são desenvolvidos mais que em pessoas, o seu cheiro é mais agradável e quando abrem a boca, levam Poetas para todos os mundos.

...E não se esqueça do café – ele é vital. Feito, (nunca por empregadas), em coadores de pano. E servido, (nunca para apressados), em xícaras pequenas, brancas, de ferro esmaltado. Tudo deve ser demoradamente vivido e visto, cheirado, degustado, escutado, falado e compreendido – nunca amanhã! Por isso mesmo, a sua casa deve ser o encontro de pessoas boas, coração – e música, muita música! E poesia – muita Poesia!


© Pietro Nardella-Dellova. A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. Ed. Scortecci, 2009, pág 31-33

http://ancoraseasas.blogspot.com.br/2011/06/poesia-na-casa-e-no-caminho.html

domingo, 23 de dezembro de 2012

RESOLUÇÕES

 

 Que eu seja como a que tece o pano na floresta,profundamente escondida.
Que eu possa fazer o meu trabalho sem interrupção.
Que eu seja uma exilada, se este é o sacrifício.

Que eu conheça a procissão sazonada do meu espírito e do meu corpo, e possa celebrar os quartos em cruz, solstícios e equinócios.
Que cada Lua Cheia me encontre a olhar para cima,nas árvores desenhadas no céu luminoso.
Que eu possa acariciar flores selvagens, cobri-las com as mãos.
Que eu possa libertá-las, sem apanhar nenhuma, para viver em abundancia.

Que meus amigos sejam da espécie que ama o silêncio.
Que sejamos inocentes e despretensiosos.
Que eu seja capaz de gratidão.
 
Que eu saiba ter recebido a alegria, como o leite materno.
Que eu saiba isso como o meu gato, no sangue e nos ossos.
Que eu fale a verdade sobre a alegria e a dor, em canções que soem como o aroma do alecrim, como todo o dia e na antiguidade, erva forte da cozinha.

Que eu não me incline a auto-piedade.
Que eu possa me aproximar dos altos trabalhos da terra e dos circulos de pedra,como raposa ou mariposa, e não perturbar o lugar mais que isso.
Que meu olhar seja direto e minha mão firme.

Que minha porta se abra aqueles que habitam fora da riqueza, da fama e do privilégio.
Que os que jamais andaram descalços não encontrem o caminho que chega a minha porta.
Que se percam na jornada labiríntica.
Que eles voltem.

Que eu me sente ao lado do fogo no inverno e veja as chamas brilhando para o que vier, e nunca tenha necessidade de advertir ou aconselhar, sem que me peçam.
Que eu possa ter um simples banco de madeira, com verdadeiro regozijo.
Que o lugar onde habito seja como uma floresta.

Que haja caminhos e veredas para as cavernas e poços e árvores e flores, animais e pássaros, todos conhecidos e por mim reverenciados com amor.
Que minha existência mude o mundo não mais nem menos do que o soprar do vento, ou o orgulhoso crescer das árvores.
Por isso, eu jogo fora a minha roupa.
Que eu possa conservar a fé,sempre!

Que jamais encontre desculpas para o oportunismo.
Que eu saiba que não tenho opção,e assim mesmo escolha como a cantiga é feita,em alegria e e com amor.
Que eu faça a mesma escolha todos os dias e de novo.

Quando falhar, que eu me conceda o perdão.
Que eu dance nua, sem medo de enfrentar meu próprio reflexo. 

(Rae Beth)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

POEMA DE YULE




Uma Senhora carrega seu filho nos braços atravessa a noite escura

...
caminha serena nada teme sempre avança pela floresta pelos campos montanhas e pela alma de seus protegidos ela vem suave trazer a luz de seu pequeno filho para aqueles que

creem no amor supremo dedicado às criaturas por seus criadores é uma caminhada em círculo que se eleva e pelo coração nos carrega ao alto da sacralidade uma Senhora caminha

por trilhas escuras
caminha segura e leva nos braços seu maior amor para doar à todos aqueles que aceitar o presente iluminado.....

Que venha o Yule no meu, no teu coração....

que venha a névoa, o frio....o gelo....a neve..... que venha o que vier
a luz do pequeno aquece sustenta, acende.... quem tem olhos de ver e coração de sentir....

andemos pois... andemos a roda e sejamos sempre abençoados....
pela eternidade.....
 
Encontrado no facebook

domingo, 9 de dezembro de 2012

GERAÇÃO COLHEITA FELIZ


Cientistas dizem que fazer malabarismo com e-mail, celular e outras fontes de informação muda a maneira como as pessoas pensam. Nossa concentração está sendo prejudicada pelo fluxo intenso de informação.
Esse fluxo causa um impulso primitivo de resposta a oportunidades ou ameaças imediatas. O estímulo provoca excitação - liberação de dopamina- que vicia. Na sua ausência, vem o tédio. Enquanto muita gente diz que fazer várias coisas ao mesmo tempo aumenta a produtividade, pesquisas mostram o contrário: As multitarefas dificultam a concentração e a seleção necessárias para ignorar informações irrelevantes. E mesmo depois que a pessoa se desliga, o pensamento fragmentado continua.
Para estudiosos de Stanford, a dificuldade de se concentrar só no que interessa mostra um conflito cerebral, que vem da nossa evolução. Parte do cérebro age como uma torre de controle, ajudando a pessoa a se concentrar nas prioridades. Partes primitivas, como as que processam a visão e o som, querem que ela preste atenção às novas informações, bombardeando a torre de controle.
Funções baixas do cérebro passam por cima de objetivos maiores, como montar uma cabana, para alertar sobre o perigo de um leão por perto. No mundo moderno, o barulho do e-mail chegando passa por cima do objetivo de escrever um plano de negócios ou jogar bola com o filho.
Mas outras pesquisas mostram que o cérebro também se adapta. Usuários de internet têm mais atividade cerebral do que não usuários. Eles estão ganhando novos circuitos de neurônios.
LER NA INTERNET
Em seu novo livro "The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains" o escritor norte-americano Nicholas Carr examina a história da leitura e a ciência de como o uso de diferentes mídias afeta nossa mente. Explorando como a sociedade passou da tradição oral para a palavra escrita e depois para a internet, ele detalha como nosso cérebro se reprograma para se ajustar às novas fontes de informação. Ler na internet mudou fundamentalmente a forma como usamos nosso cérebro.

A quantidade de textos, fotos, vídeos, músicas e links para outras páginas combinada com incessantes interrupções na forma de mensagens de texto, e-mails, atualizações do Facebook, tweets, etc fez com que nossas mentes se acostumassem a catalogar, arquivar e pesquisar informações. Desta forma, desenvolvemos habilidades para tomar decisões rapidamente, especialmente visuais. Por outro lado, cada vez lemos menos livros, ensaios e textos longos – que nos ajudariam a ter foco, concentração, introspecção e contemplação. Ele diz que estamos nos tornando mais bibliotecários – aptos a encontrar informações de forma rápida e escolher as melhores partes – do que acadêmicos que podem analisar e interpretar dados.
A ausência de foco obstrui nossa memória de longo prazo e nos torna mais distraídos. "Nós não nos envolvemos com as funções de interpretação de nossos cérebros", diz. Ele ainda afirma que, por séculos, os livros protegeram nossos cérebros de distrações, ao fazer nossas mentes focalizarem um tema por vez.

Com aparelhos como o Kindle e o iPad, que incorporam dispositivos digitais de leitura, tornando-se comuns, Carr prevê que os livros também mudarão. "Novas formas de leitura requerem novas formas de escrita". Se escritores suprem a necessidade crônica de uma sociedade distraída, eles inevitavelmente evitarão argumentos complexos que requerem atenção prolongada e escreverão de forma concisa e aos pedaços, Carr prevê.
Ele inclusive sugere um exercício para aqueles que sentem que a internet os tornou incapazes de se concentrarem: diminuam o ritmo, desliguem a web e pratiquem habilidades de contemplação, introspecção e reflexão. "É bem claro pelo que já sabemos sobre a ciência do cérebro que, se você não exercita habilidades cognitivas específicas, você acaba as perdendo. Se você se distrai facilmente, não pensará da mesma forma que pensa se você presta atenção".

Ou seja, estamos desenvolvendo uma nova raça humana, diferente na forma de pensar e interagir entre si e com as coisas ao nosso redor. O Homem desenvolve as ferramentas e acaba sendo moldado por elas, e tem sido assim desde a pré-história. Sem habilidade pra INTERPRETAR, ficaremos mais burros. Aliás, já estamos! Basta ver como nossa sociedade está alheia ao mensalão e como isso mal influenciou o resultado das eleições. Num tempo onde só recebemos as informações e estamos muito distraídos pra processá-las, para o Homer Simpson brasileiro o NÚCLEO PRINCIPAL de um partido ser condenado à prisão por fazer uma quadrilha pra desviar dinheiro público e comprar apoio político não significa que o mesmo partido (que inclusive apóia os membros da quadrilha) vá fazer isso uma vez eleito à prefeitura de sua cidade. Esse tipo de raciocínio realmente me impressiona, e me lembra do comercial da Apple em 1984, com a massa dominada de boca aberta em frente a um telão. Hoje não temos mais o domínio da TV, mas as massas continuam passivas, atadas a certas mídias seja por paixão ou manipulação.
Outra coisa que notei é a proliferação dos jogos casuais. Antigamente você tinha de levar seu videogame pra TV da sala (a única na casa), montar a caixinha RF atrás dela e jogar um jogo até o fim sem poder salvá-lo. Exigia tempo, esforço, treino, aperfeiçoamento. Vivíamos sem ver o final de muitos jogos, e sobrevivemos a essa frustração. Hoje podemos pegar o celular na fila do consultório e jogar pelo tempo exato até ser chamado. Com possibilidade de salvar o progresso, com continues infinitos, com uma curva de aprendizado fácil e o próprio jogo dá dicas de como superar as dificuldades. Não há comprometimento do jogador com o jogo, e o jogo é que implora por sua atenção, lhe dando itens, ouro, badges e outras bugingangas pra que você se sinta feliz "ganhando". Joguei Draw Somethingcom algumas pessoas no exterior e enquanto estávamos acertando um o desenho do outro tudo ia bem. 10, 20 rounds se passavam com trocas diárias de desenho. Mas bastava perder uma vez e o placar voltar pra zero pra nunca mais ver essa pessoa de novo. Pessoas criadas a leite com pêra, que nunca jogaramRiver Raid e não suportam o mínimo de frustração.
Essa é a geração - ou melhor, sociedade - "Colheita feliz", cada vez mais reagindo somente a estímulos, com o cão de Pavlov.
E a espiritualidade, como fica? Todos sabemos que o contato interno com o Divino depende da meditação, da introspecção. Será que a verdadeira espiritualidade vai se perder, desta vez não por proibições, mas sim por pura falta de capacidade das pessoas? Ou ficará esquecida num mar de informações irrelevantes?

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

GAZA



Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados.
 
Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
 
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem.

 O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica
.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?

Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

http://www.viomundo.com.br/politica/eduardo-galeano-quem-deu-a-israel-o-direito-de-negar-todos-os-direitos.html

ANNA COMNENA



BIOGRAFIA

Ana Comnena ( Constantinopla, 1 de Dezembro de 1083 - c.1153), foi uma princesa bizantina, filha do imperador Aleixo I Comneno com Irene Ducaina. Tornou-se numa das primeiras mulheres historiadoras ao escrever a Alexíada, uma crónica sobre o reinado do seu pai, durante o qual ocorreu a Primeira Cruzada.

Nascida no quarto púrpura do palácio imperial, foi a primogénita dos nove filhos de Aleixo, e por isso foi educada em história, matemática, ciência e filosofia grega. Apesar de o seus pais proibirem-na de estudar a poesia da Grécia Antiga, uma vez que esta glorificava deuses lascivos e mulheres sem castidade, considerados assuntos impróprios e até mesmo perigosos para uma jovem da sua classe social, Ana estudou-a à escondidas com os eunucos da corte. Deste modo obteve uma educação extraordinária para uma mulher do seu tempo.

Segundo os costumes da nobreza bizantina, pouco depois do seu nascimento, Aleixo I combinou o noivado da sua primogénita com Constantino Ducas, filho do imperador Miguel VII Ducas com Maria de Alânia, de modo a aumentar as suas ligações com a dinastia anterior. Não havendo um filho varão para herdar o trono, Constantino foi proclamado co-imperador de Bizâncio. Mas em 1087 nasceria o filho aguardado, João II Comneno. Constantino abandonou as suas pretensões imperiais e morreria pouco depois.

Em 1097, Ana casou-se aos 14 anos com outro nobre, o kaisar Nicéforo Briénio, estadista, general e historiador, filho de uma família aristocrática que contestara o trono antes da ascensão de Aleixo. O pai deste fora um general vencido por Aleixo, e assim este provavelmente pretendia apaziguar os seus rivais e obter consenso sob a sua coroa. Segundo Ana, tratou-se de um casamento político e não por amor, mas tornar-se-ia numa união de sucesso durante quarenta anos, da qual nasceram quatro filhos.

Desde a infância preparada para herdar o império, Ana não pretendia aceitar a ascensão do irmão ao trono. Juntamente com Irene Ducaina, conspiraram para o deserdar e colocar Nicéforo no seu lugar, aproveitando a doença terminal de Aleixo. Fracassariam. Em 1118 João II Comneno sucedeu ao pai e o plano de depor o novo imperador, nesse mesmo ano, caiu por terra quando Nicéforo acabou por se recusar a colaborar.

Enfurecida e desapontada pelo que considerou fraqueza e não lealdade do seu esposo, Ana afirmou que a natureza trocara os sexos, porque ele deveria ter sido a mulher. A conspiração acabou por ser descoberta. Ana teve de renunciar às suas propriedades e ao estatuto de família imperial e foi exilada, juntamente com Irene Ducaina e a sua irmã Eudóxia, para o convento de Théotokos Kécharitôméné (em português, convento da Virgem cheia de graça), que a sua mãe fundara. Pela Alexíada é possível perceber a perturbação da autora por estes acontecimentos, tendo escrito que, apesar de não a poderem ver, muitos a odiavam. Nicéforo permaneceu no palácio imperial e tornou-se num dos principais conselheiros de João II.

OBRA

Em reclusão, Ana encarregou-se da escola do mosteiro e só se tornaria monja no seu leito de morte. Durante a sua vida dedicou-se a estudar filosofia e história e reuniu-se com intelectuais eminentes, entre os quais os dedicados aos estudos aristotélicos.

Os seus conhecimentos e inteligência ficaram demonstrados nos poucos trabalhos da sua autoria. Entre outros assuntos, era versada em filosofia, literatura, gramática, teologia, astronomia e medicina. Através de pequenos erros na Alexíada, pode-se concluir que citava Homero e a Bíblia de memória. Os seus contemporâneos, como o bispo Georgios Tornikes de Éfeso, viam Ana como uma pessoa que atingira o cume máximo da sabedoria, tanto secular como divina.

Como historiador, ao morrer em 1137, Nicéforo Briénio deixou incompleto um ensaio que intitulara de Material para a História, centrado no reinado de Aleixo I Comneno. Aos 55 anos de idade, Ana decidiu concluir a obra, passando a intitulá-la Alexíada, a história da carreira política do seu pai Aleixo de 1069 até à sua morte em 1118. Concluída em 1148, esta história é actualmente uma das principais fontes sobre a história política do Império Bizantino no final do século XI e início do século XII.

Na Alexíada, Ana explicou as guerras e as relações políticas entre Aleixo I e o Ocidente, e descreveu vividamente as armas, táticas e batalhas. Apesar da óbvia parcialidade e admiração, é possível encontrar indícios de críticas aos defeitos do seu pai, tal como do ódio pelo seu irmão João II Comneno e o lamento pelo seu exílio no convento.

O seu relato da Primeira Cruzada tem um grande valor para a história por ser o único testemunho contemporâneo do ponto de vista bizantino: entusiasta de Bizâncio e firme antagonista do cristianismo ocidental, Ana viu as cruzadas como um risco político e religioso. Não escondeu a sua aversão aos arménios e aos latinos em geral (normandos e francos), a quem considerava bárbaros.
 Mas de entre estes, até aos velhos inimigos de Bizâncio, como Roberto Guiscardo e o seu filho Boemundo de Taranto, expressou admiração pelas suas virtudes, habilidade ou charme.

A utilização dos termos militares e o impressionante número de detalhes na descrição do reinado de Aleixo sugerem que, apesar de internada em um mosteiro, teve acesso a arquivos oficiais e talvez tenha até entrevistado testemunhas dos acontecimentos.

Todo o conjunto demonstra que a autora teve uma educação muito abrangente. O seu interesse em táticas militares e nas ciências, bem como a sua auto-confiança nas suas capacidades literárias, são surpreendentes para uma mulher da sua época - e pela sua obra também é possível obter algum conhecimento sobre a mentalidade e percepção femininas do mundo do seu tempo.

Morte e posteridade

A data exacta da morte de Ana Comnena é desconhecida. Através da Alexíada, conclui-se que ainda estaria viva em 1148. Teve vários filhos do seu casamento em 1097 com Nicéforo Briénio, entre os quais:

Em 1999, Tracy Barrett escreveu um relato ficcional da sua vida no romance Anna of Byzantium (Ana de Bizâncio).

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Comnena

Avalon



Cada vez mais Avalon tornou-se distante do mundo, envolta em suas brumas, invisível para os mortais humanos.
Todavia, Avalon há de continuar existindo enquanto ainda houver pessoas que busquem o conhecimento, as tradições, a magia.

 Há de continuar a existir, sempre, nos corações daqueles que buscam um sentido para suas vidas, para aqueles que sabem que a alma é imortal e que um dia iremos todos voltar, pois a vida é um ciclo que nunca pára, está sempre a girar, é eterno.
 Assim como esse lugar sagrado a que chamamos de Avalon.

 Avalon vivia em harmonia com a natureza, ao seu ritmo, seguindo as mudanças das estações do ano, os ciclos da lua com seus antigos rituais.
 Eram sábios: conheciam a magia, as ervas para curar, os segredos do céu e das estrelas, conhecimentos antigos, música...
E passavam tudo isso aos mais jovens.


Avalon, esse reino perfeito de amor e beleza, continua sendo a busca constante de todo o ser humano que, apesar de todas as desilusões, ainda tem a esperança de fazer deste mundo uma lenda real, ou seja, um lugar melhor para se viver.

in: Facebook, Alma Celta

A MULHER VELHA




A psiquê de uma mulher pode ter chegado ao deserto em virtude da Ressonância, devido a crueldades passadas ou por não lhe ter sido permitida uma vida mais ampla a céu aberto.
Por isso, muitas vezes uma mulher tem a sensação de estar vivendo num vazio, onde talvez haja apenas um cacto com uma flor de um vermelho vivo, e em todas as direções, 500 quilômetros de nada.
No entanto, para aquela que se dispuser a andar 501 quilômetros, existe mais alguma coisa.
 Uma casa pequena e admirável.
 Uma velha.
Ela está à sua espera.
...

 
Algumas mulheres não querem estar no deserto psíquico.
 Elas detestam a fragilidade, a escassez.
 Não param de tentar fazer com que um carro enferrujado funcione para que possam descer aos solavancos pela estrada na direção de uma refulgente cidade que fantasiam na psiquê.
 Decepcionam-se, porém, pois a exuberância e a vida selvagem não se encontram ali.
 Elas estão no mundo do espírito, no mundo entre os mundos, Rio Abajo Rio, no rio por baixo do rio.
 Não seja tola.
Volte, pare debaixo daquela única flor vermelha e siga em frente percorrendo aquele último e árduo quilómetro. Aproxime-se e bata à porta castigada pelas intempéries.
 Suba até a caverna.
 Atravesse engatinhando a janela de um sonho.
Peneire o deserto e veja o que encontra.
 Essa é a única tarefa que temos de cumprir.
Está querendo ajuda psicanalítica?
Vá recolher ossos.

in Mulheres que Correm com os Lobos
clarissa pinkola estés

domingo, 18 de novembro de 2012

NOITE DAS NOITES

 
 
Noite das noites,
Lua sem luz,
Ermo dos ermos.
Som dos sons,
Vento do norte frio,
Esperanças que para o sul se esvaia.
Olho no leste, espera na luz do amanhecer.
Noite de Hecate, a caminho dos sonhos.
Trilha de Danu, força de Kali.
Altar que brilha sem luz do luar,
Noite que é noite das noites sem noite.
A busca da trilha serena de Ísis.
Figuras translúcidas de formas etéreas
Parece miragem
Ilusões contidas, medos e conflitos.
O despertar invoca no circulo de volta,
Aquelas antigas, aquelas das eras,
Aquelas das ervas, aquelas da vida.
Presença de Gaia sem forma, sem canto, sem leis,
Sem fogueiras
De luz Tênue, de canto lúdico,
Acendem as velas,
Diversas de cores e luzes,
A terra aquece os pés, o vento sobra em gozo.
O fogo abrasa a alma, é ela que chega.
Está no sopro do mundo, está na alma da terra, é ela Lillith
.

Graça Azevedo / Senhora Telucama
Lua Negra do Outono de 2007

O FOGO DA TRANSFORMAÇÃO



“Ela é puro fogo, fogo ardente e potente de um amor único e singular, chama terrível sim, que nós ainda não conseguimos suportar. “*

Não é fácil aceitar esse fogo da transmutação...por isso tem de se ir devagar e sem medo...contra todas as barreiras da mente e de todos os medos que nos tolhem, todos os conceitos que nos amarraram, daqueles que nos quiserem mortas antes de tempo e insípidas toda a vida...


Mulheres destinadas a esposas ou mulheres fatais, castas esposas e fiéis ou prostitutas acossadas nas ruas, mulheres abusadas e humilhadas, apenas "preenchidas" pelos filhos e pelos falos...mas não, esse não é já o nosso destino, hoje camuflado de tantas liberdades...

Não estou a falar das mulheres mais jovens, nem da sua paixão pelo homem como é óbvio. Nesses casos quase sempre as mulheres, além da sua própria sexualidade activa, são estimuladas por toda uma propaganda abjecta em que a mulher é quase sempre desviada de si própria e instrumentalizada para obedecer e dar prazer ao homem sem se conhecer e em função do homem exclusivamente embora se tenham invertido um pouco esses parâmetros – para dar a mulher a sensação de que ela também conta - através de uma publicidade que faz agora do homem que dá prazer à mulher um herói e desse um princípio de dever nas relações sem que contudo a mulher se conheça mais ou melhor no seu potencial ou a dimensão interna da sua energia sexual/erótica e em que em muitas e muitas situações ela é forçada agora a simular um prazer que não tem senão paga o preço do macho ferido no seu orgulho. Ele agora não tem só que “possuir” muitas mulheres…ele tem de dar “prazer” a uma mulher…(ou muitas mulheres).

A Mulher tem em si um poder sensual e uma extensão única, um manancial fechado, desse mesmo poder que é a energia de Lilith. A mulher tem dentro de si esse potencial da Deusa, toda a força da Natureza, e a energia amorosa que cria e criou o mundo e a Terra.

É um grande desafio, uma grande aventura a de a Mulher se olhar um dia e se Sentir e de repente ver inteira – independente do corpo de desejo ou idade que tenha - e aceitar a sua sensibilidade/sensualidade alargada para lá, muito para lá da mera sexualidade.

Creio mesmo que a sensação de a mulher nunca ter encontrado, regra geral, a sua plenitude no amor e a sua suposta frustração sexual – não ser entendida, correspondida, e tida em conta na sua extrema e complexa sensibilidade – e tudo o que se especulou sobre um ponto “G” na mulher algures no seu órgão sexual e de uma suposta experiência de prazer sexual extraordinário e que os homens (inclusive sexólogos ou peritos, psicólogos etc.) não saberiam como lá chegar, não é mais afinal do que esse Prazer imenso só seu de ser mulher em si e não depender de ninguém ao se descobrir inteira nesse corpo sensual que não é só corpo nem só sensual pelas sensações exteriores através da pele e zonas erógenas, mas sobretudo por essa sensualidade que é fogo interior que brota de dentro e que lhe sobe nas veias e que vem do mais fundo das suas entranhas e de um sentir visceral, como de um vulcão em erupção se tratasse; sim é dessa fusão que se trata e como digo no livro,* “ Lilith é uma experiência no âmago da mulher no seu centro nuclear que implica o seu corpo, o seu sexo a sua alma e o seu espírito em fusão e só essa experiência dá a dimensão do Ser Mulher ou da Deusa na mulher."

Se por um lado a mulher com a idade pode perder parte significativa da sua libido ou a apetência sexual pelo macho, (não considero aqui a propaganda médica e farmacêutica que quer vender estimulantes em nome da saúde sexual ou da escravidão da mulher ao sexo, como o viagra nos homens etc, perfeitamente contra natura) por outro, ela aumenta a sua sensualidade na Alma e no coração ardente… assim, a novidade é minhas amigas

 A Mulher não morre para a Paixão nem acaba a sua capacidade de se sentir viva e ardente na menopausa, antes começa a sentir e a irradiar a força desse fogo que concentrou dentro de si, mesmo sem o saber, essa força adormecida que agora pode acordar conscientemente e fazer dela um Oráculo, fazer dela Uma Xamã, fazer dela um Velha Sábia cheia de amor e dignidade. Porque é esse Amor indefinido e potente como um raio dentro de si…que faz a nobreza da Mãe e a grandeza da Mulher…e ela irradia à sua volta.

rosaleonorpedro

*O Livro de Lilith (sem título definido ainda e não publicado.)


sábado, 17 de novembro de 2012

AINDA LILITH...



Lilith não corresponde a nenhum conceito, idéia ou projeção que se possa fazer dela...e o que as pessoas que usam o seu nome fazem hoje em dia é usar os preconceitos seculares que difamaram Lilith, que, transformando-a num demônio e comedora de criancinhas, uma serpente maldita ou um dragão ameaçador - é sempre a mesma ameaça para assustar as crianças e os homens que não passam de crianças e a imaginam terrível – para criar medo dela e da Mulher livre e capaz de ser Mulher por si só.

Ela não é nada disso...nada. Sinto-o e sei-o no meu coração.
Ela é puro fogo, fogo ardente e potente de um amor único e singular, chama terrível sim, que nós ainda não conseguimos suportar: Ela está para lá de toda a dualidade bem mal e nunca foi homem nem...

mulher porque ELA É A ESSÊNCIA DA MULHER FUTURA, DA MULHER QUE ERA PARA SER E NÃO FOI...mas o que ela será e o que ela foi está em germe na mulher, é o seu matrimônio secreto, a sua completude, e o homem que a quiser conhecer terá de ser através da MULHER, da Mãe e da Amante...não há hipótese alguma de o transgredir nem de a transformar num demônio, nem na transexualidade, nem por qualquer processo seja por meios químicos e outros como operações ou sucedâneos, como fazer seios de silicone ou injetar-se de hormônios...



 Lilth é incorruptível, Ela é a origem ,Ela é a Grande Mãe…o Grande Útero que dá vida ao universo. Ela é a grande Serpente, o Uroborus…

Quem quiser conhecer Lilith, tem de nascer mulher e escolhe-o...mas pode sempre traí-la de uma ou outra maneira - nem todas ou raras são as mulheres dignas dela e que lhe são fiéis...porque as mulheres de hoje e daí todas as aberrações deste mundo, todas as loucuras, não se conhecem em essência, não cumprem o seu destino, estão desnaturadas, estão vendidas, escravizadas ao patriarcado e ao Sistema que, este sim, é “diabólico”.
 
Elas não respiram a Mulher, elas não são A Mulher. E por isso os homens não sabem nem sonham quem seja a Mulher nem muito menos quem É LILITH!

 Lilith é uma experiência no âmago da mulher no seu centro nuclear que implica o seu corpo, o seu sexo a sua alma e o seu espírito em fusão e só essa experiência dá a dimensão do Ser Mulher ou da Deusa na mulher.

As mulheres não sonham nem compreendem o que possa ser essa totalidade nelas.
 Não sonham que isso lhes pode trazer de si uma experiência tão profunda que podem cessar a busca do prazer obsessivo pelo macho...eu não nego as relações entre os humanos (entre homem e mulher ou entre seres do mesmo sexo); eu apenas quero enfatizar que a experiência da deusa na mulher é tão forte e tão extensa como intensa e auto-suficiente...tira-nos dessa dependência do outro e do homem e esse é o segredo milenar que as mulheres têm guardado e esquecido.
 
Dizer isto às mulheres parecerá loucura eu sei disso: elas estão tão dominadas pelo homem que não concebem a sua existência sem um...e não conseguem desviar o foco do homem para sim mesmas...
(...)
 
Rosa Leonor Pedro
 
Fonte:  grupo Lilith a Primeira Mulher, facebook

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

SER



CONHECER
a luz e as trevas
o preto e o branco
o domínio e a submissão
o amor doação e o amor alimento
o sexo animal e o transcendente

Mas a realização de tudo isto é
S E R
Conter tudo a um só tempo
A energia manifesta
De forma integrada
H A R M O N I A
Renascendo infinitamente
a cada momento
desvelando assim
a multiplicidade na criação

(Susie Sun)


http://susiesun.blogspot.com.br/2008/03/cosmos-manifesto.html

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ENCONTRO COM LILITH



Eu estava nos meus dias de mulher a dias carregando a sobrevivência.
 Eu estava nos meus dias de Penélope fazendo o meu trabalho e desfazendo-o e voltando-o a fazer. Eu estava nos meus dias de Deusa dos Sonhos afagando a vida.
 Foi quando te pressenti.
 Do silêncio, um leve restolhar entre folhas.
 Do frio, um sinistro rastejar.
 Ao longe, o vórtice a rodopiar dum furacão.
 O céu um pântano.
 Empalideço.
 Todos os verdes musgos se transformam em venenos.
 As flores em risadas.
 Os doces aromas em sulfurosas pestilências.
 Chegas em fúria, todos os elementos te seguem, os bichos escondem-se, humanos que te vissem pasmariam.
 Todo o teu olhar são crateras que se abrem.
 Toda tu arrotas e fazes-me arrotar até ao vómito.
 Tiras-me o meu último apoio, a minha varinha mágica de iludir-me.
 Transforma-la num chicote sem clemência.
 Voam pelo ar tempestades de ventos do deserto, vidros de dor de bola de cristal estilhaçada.
 Ainda me debruço sobre o meu ventre chorando os filhos que tive,para quê?
 Clamo a Deus porque de mim se serviu para ser sua mãe no mundo?
 E porquê os homens fizeram de mim a sua escrava?
 Basta de ser sacrificial e ser carne e terra e sangue para alimentar reinos que não são meu trono.
 Eu sou a RAINHA DE OUTRO REINO, ME VENEREM E RESPEITEM!
 Já não sei se sou eu que o estou dizendo se és tu que o estás dizendo em mim...
Sei que num relâmpago, como que um raio me trespassa, e vejo-te subitamente mulher plena.
 Que ninguém se aproxime.
 Como és bela!
 E tu a veres-me velha, minhas rugas, meus seios murchos, meu ar abandonado.
 Apoximas-te e és real e abraças-me.
 Beijas-me na boca, vais sorver do mais fundo de mim a inocência que eu ainda tenho e a ti te falta, vais reviver em mim a tua casa, a nossa casa, a tua irmã, e estamos juntas outra vez no paraíso.
 És tu que que mantens a força e me seguras.
 És tu que sem ciladas não admites que eu agora caia.
 És tu que juras com raiva, que antes dessa hora, destruírias todas as horas pelas quais a terra é regida. Vejo-te então mais ferida do que eu e sou agora eu que te sustenho.
 Parece um horto de sofrimento, uma demência a sacudir-nos, uma epifanía.
Nunca o amor foi tão lúcido.
 É uma plena reconciliação feita de saudade enorme.
 Penso que vamos ficar finalmente juntas .
 É então que me olhas ( ainda não sou capaz de descrever esse olhar) e pouco a pouco te vais transfigurando.
 Enquanto dura esse processo tu gritas-me:
 Um dia irei ter contigo, mas agora corre, corre,corre!
  Lilith, o que está para acontecer?
 Não sei, mas farei o que tu dizes, sabendo que já estás comigo.

Graça Mota, grupo  do facebook "Lilith, a Primeira Mulher"

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A MULHER FORTE



No instante em que pedimos por Ela,
Em que A vemos, conversamos com Ela, a amamos
Ela se levanta graciosa,
Contra todas as cordas que A prendem,
E elas se soltam,
Enquanto as estacas voam em todas as direções.

Com muito amor, alguma leveza e, sem dúvida, com um anseio profundo
Vamos também sentarnos juntas,
Vamos arrebentar todas as cordas
Vamos fazer todas as estacas voar...
Libertando-nos ao libertar a Mulher Forte.

Clarissa Pinkola Estés, Libertem a Mulher Forte, Ed. Rocco