imagem: Jia Lu, Illuminated

"EM CADA CORAÇÃO HÁ UMA JANELA PARA OUTROS CORAÇÕES.ELES NÃO ESTÃO SEPARADOS,COMO DOIS CORPOS;MAS,ASSIM COMO DUAS LÂMPADAS QUE NÃO ESTÃO JUNTAS,SUA LUZ SE UNE NUM SÓ FEIXE."

(Jalaluddin Rumi)

A MULHER DESPERTADA PARA SUA DEUSA INTERIOR,CAMINHA SERENAMENTE ENTRE A DOR E AS VERDADES DA ALMA,CONSCIENTE DA META ESTABELECIDA E DA PLENITUDE A SER ALCANÇADA.

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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

ANNA COMNENA



BIOGRAFIA

Ana Comnena ( Constantinopla, 1 de Dezembro de 1083 - c.1153), foi uma princesa bizantina, filha do imperador Aleixo I Comneno com Irene Ducaina. Tornou-se numa das primeiras mulheres historiadoras ao escrever a Alexíada, uma crónica sobre o reinado do seu pai, durante o qual ocorreu a Primeira Cruzada.

Nascida no quarto púrpura do palácio imperial, foi a primogénita dos nove filhos de Aleixo, e por isso foi educada em história, matemática, ciência e filosofia grega. Apesar de o seus pais proibirem-na de estudar a poesia da Grécia Antiga, uma vez que esta glorificava deuses lascivos e mulheres sem castidade, considerados assuntos impróprios e até mesmo perigosos para uma jovem da sua classe social, Ana estudou-a à escondidas com os eunucos da corte. Deste modo obteve uma educação extraordinária para uma mulher do seu tempo.

Segundo os costumes da nobreza bizantina, pouco depois do seu nascimento, Aleixo I combinou o noivado da sua primogénita com Constantino Ducas, filho do imperador Miguel VII Ducas com Maria de Alânia, de modo a aumentar as suas ligações com a dinastia anterior. Não havendo um filho varão para herdar o trono, Constantino foi proclamado co-imperador de Bizâncio. Mas em 1087 nasceria o filho aguardado, João II Comneno. Constantino abandonou as suas pretensões imperiais e morreria pouco depois.

Em 1097, Ana casou-se aos 14 anos com outro nobre, o kaisar Nicéforo Briénio, estadista, general e historiador, filho de uma família aristocrática que contestara o trono antes da ascensão de Aleixo. O pai deste fora um general vencido por Aleixo, e assim este provavelmente pretendia apaziguar os seus rivais e obter consenso sob a sua coroa. Segundo Ana, tratou-se de um casamento político e não por amor, mas tornar-se-ia numa união de sucesso durante quarenta anos, da qual nasceram quatro filhos.

Desde a infância preparada para herdar o império, Ana não pretendia aceitar a ascensão do irmão ao trono. Juntamente com Irene Ducaina, conspiraram para o deserdar e colocar Nicéforo no seu lugar, aproveitando a doença terminal de Aleixo. Fracassariam. Em 1118 João II Comneno sucedeu ao pai e o plano de depor o novo imperador, nesse mesmo ano, caiu por terra quando Nicéforo acabou por se recusar a colaborar.

Enfurecida e desapontada pelo que considerou fraqueza e não lealdade do seu esposo, Ana afirmou que a natureza trocara os sexos, porque ele deveria ter sido a mulher. A conspiração acabou por ser descoberta. Ana teve de renunciar às suas propriedades e ao estatuto de família imperial e foi exilada, juntamente com Irene Ducaina e a sua irmã Eudóxia, para o convento de Théotokos Kécharitôméné (em português, convento da Virgem cheia de graça), que a sua mãe fundara. Pela Alexíada é possível perceber a perturbação da autora por estes acontecimentos, tendo escrito que, apesar de não a poderem ver, muitos a odiavam. Nicéforo permaneceu no palácio imperial e tornou-se num dos principais conselheiros de João II.

OBRA

Em reclusão, Ana encarregou-se da escola do mosteiro e só se tornaria monja no seu leito de morte. Durante a sua vida dedicou-se a estudar filosofia e história e reuniu-se com intelectuais eminentes, entre os quais os dedicados aos estudos aristotélicos.

Os seus conhecimentos e inteligência ficaram demonstrados nos poucos trabalhos da sua autoria. Entre outros assuntos, era versada em filosofia, literatura, gramática, teologia, astronomia e medicina. Através de pequenos erros na Alexíada, pode-se concluir que citava Homero e a Bíblia de memória. Os seus contemporâneos, como o bispo Georgios Tornikes de Éfeso, viam Ana como uma pessoa que atingira o cume máximo da sabedoria, tanto secular como divina.

Como historiador, ao morrer em 1137, Nicéforo Briénio deixou incompleto um ensaio que intitulara de Material para a História, centrado no reinado de Aleixo I Comneno. Aos 55 anos de idade, Ana decidiu concluir a obra, passando a intitulá-la Alexíada, a história da carreira política do seu pai Aleixo de 1069 até à sua morte em 1118. Concluída em 1148, esta história é actualmente uma das principais fontes sobre a história política do Império Bizantino no final do século XI e início do século XII.

Na Alexíada, Ana explicou as guerras e as relações políticas entre Aleixo I e o Ocidente, e descreveu vividamente as armas, táticas e batalhas. Apesar da óbvia parcialidade e admiração, é possível encontrar indícios de críticas aos defeitos do seu pai, tal como do ódio pelo seu irmão João II Comneno e o lamento pelo seu exílio no convento.

O seu relato da Primeira Cruzada tem um grande valor para a história por ser o único testemunho contemporâneo do ponto de vista bizantino: entusiasta de Bizâncio e firme antagonista do cristianismo ocidental, Ana viu as cruzadas como um risco político e religioso. Não escondeu a sua aversão aos arménios e aos latinos em geral (normandos e francos), a quem considerava bárbaros.
 Mas de entre estes, até aos velhos inimigos de Bizâncio, como Roberto Guiscardo e o seu filho Boemundo de Taranto, expressou admiração pelas suas virtudes, habilidade ou charme.

A utilização dos termos militares e o impressionante número de detalhes na descrição do reinado de Aleixo sugerem que, apesar de internada em um mosteiro, teve acesso a arquivos oficiais e talvez tenha até entrevistado testemunhas dos acontecimentos.

Todo o conjunto demonstra que a autora teve uma educação muito abrangente. O seu interesse em táticas militares e nas ciências, bem como a sua auto-confiança nas suas capacidades literárias, são surpreendentes para uma mulher da sua época - e pela sua obra também é possível obter algum conhecimento sobre a mentalidade e percepção femininas do mundo do seu tempo.

Morte e posteridade

A data exacta da morte de Ana Comnena é desconhecida. Através da Alexíada, conclui-se que ainda estaria viva em 1148. Teve vários filhos do seu casamento em 1097 com Nicéforo Briénio, entre os quais:

Em 1999, Tracy Barrett escreveu um relato ficcional da sua vida no romance Anna of Byzantium (Ana de Bizâncio).

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Comnena

2 comentários:

Elton Sipião O Anjo das Letras. disse...

Uma mulher notável,mais uma grande mulher esmagada pelo machismo e autoritarismo patriarcal. Beijos poéticos em ti querida.

Anônimo disse...

Uma grande mulher! Gostaria de mais relatos sobre essa extraordinária mulher.