imagem: Jia Lu, Illuminated"EM CADA CORAÇÃO HÁ UMA JANELA PARA OUTROS CORAÇÕES.ELES NÃO ESTÃO SEPARADOS,COMO DOIS CORPOS;MAS,ASSIM COMO DUAS LÂMPADAS QUE NÃO ESTÃO JUNTAS,SUA LUZ SE UNE NUM SÓ FEIXE." (Jalaluddin Rumi) A MULHER DESPERTADA PARA SUA DEUSA INTERIOR,CAMINHA SERENAMENTE ENTRE A DOR E AS VERDADES DA ALMA,CONSCIENTE DA META ESTABELECIDA E DA PLENITUDE A SER ALCANÇADA. BLOG COM MEUS POEMAS:http://desombrasedeluzanna-paim.blogspot.com/
Noite. Mistério. Insondável beleza.
Ó Lua, companheira da minha condição, sou a mulher desdobrada em mil que, contigo enlaçada, viaja no tempo, sujeita a ciclos de nascimento, vida e morte.
Venho escutar de novo os teus sussurros, como nas noites de outrora em que, pelo grande pássaro celeste, me entregavas o fruto das minhas entranhas.
Durmo contigo, ó lua, lua lânguida e serena sob a minha mão amante na hora mágica em que a feiticeira dos olhos de prata activa os fluidos misteriosos e dança com o lobo, em diálogo íntimo com o cosmos.
Todas as antigas civilizações veneravam o mistério do nosso laço, vozes remotas ecoam ainda nos éteres cânticos de amor à grande Deusa Tripla, Mãe Geradora, espelhada na vastidão das águas primordiais donde a vida procedeu.
Depois, tudo se apagou. Tudo se esqueceu.
Passaram a chamar-te pelo nome científico. Só os poetas retiveram nos olhos esclarecidos e no coração dourado a memória azul do teu mistério. Talvez por eles, ouça eu agora de novo, ó guardiã prateada, o silêncio como flor a florir e redescubra o fluxo dos meus gestos que se abrem na verdade do meu sentir – cresço e decresço, danço e repouso, em mim germina a vibratória pulsação da vida a renovar-se, apareço e desapareço, sou meia, sou uma quarta parte para logo, plena, me revelar sensorial e íntima, código de vida não decifrado.
Ó lua oculta, baixas dos céus pelo ardor úmido do meu corpo fecundo e penetras a terra com o teu bafo fertilizante. Senhora Lua Senhora Terra, entre as duas mães me descubro a contento, pois é doce teu olhar, luz da noite, mesmo quando trajada de branco e negro destróis as formas gastas em busca de nova criação.
Dormindo com a lua sonho-me para além do previsível. Desfeitos os absurdos formatos recebidos, esgueiro-me, ousada, na transcendência do que em mim conheço.
Do alto dos céus, governas esse mágico reino noturno que alberga os meus sonhos, reino onde me transformo em mulher-lua mulher-pássaro e vivo em insuspeita liberdade a respiração do meu antigo e feminino canto.
Durmo contigo, Lua, danço contigo, sonho-te e sigo-te na viagem.
Na noite da vida, roçam o meu corpo expectante os tentáculos dos teus devaneios oníricos na gira cósmica pelo grande fundo universal.
MARIANA INVERNO
"Alquimizar e curar a relação masculino-feminino é a iniciação do nosso tempo e o fundamento do mundo ao qual a nossa alma aspira. Para além e a através de uma união mais íntima do que o conceito solar – lunar, mulher ou homem.”
Diana Bellego
Mais do que alquimizar e curar a relação masculino-feninino, a mulher precisa primeiramente e urgentemente de curar a sua ferida milenar da cisão das duas mulheres em si. Sem que a mulher integre e se consciencialize da sua separação interior e a fragmentação psíquica que vive como mulher metade nesta sociedade há séculos – entre a mulher anima, a mulher interior recalcada e esquecida do seu lado intuitivo e instintivo, e a mulher animus, masculina e de superfície que vive os estereótipos que o poder e domínio do masculino lhe destinou, reprimindo a sua natureza ctónica e telúrica, reduzindo a mulher à função de procriadora ou de objecto de prazer, não pode haver equilíbrio entre o masculino e o feminino de per se, nem se pode alquimizar a relação.
Sem a verdadeira mulher não há o casal alquímico nem há a OBRA..
A Alquimia entre os opostos complementares faz-se ou realiza-se quando a mulher está na posse do seu poder interno e consciente da sua natureza profunda…Não é esta mulher de superfície nem esta mulher intelectualizada-masculinizada e pretensamente feminina para agradar ao homem que vai unir-se ao verdadeiro masculino…se que ele existe também…
De qualquer modo a questão fulcral para a mulher deste tempo e que a sua alma aspira em profundidade é o encontro com ela mesma com as suas forças e poder interiores sem qualquer outro propósito…só depois e por acréscimo…haverá casamento alquímico ou não…se essa for a sua escolha, porque o homem precisa da mulher para SER…mas a Mulher não precisa do homem para SER ELA inteira!
ROSA LEONOR PEDRO